sexta-feira, dezembro 19, 2008

blu(e)d


como todos os outros fins
estilhaços dos fogos de artifício
mais uma vez
uma vez
eu deixei
atrás do vento
brisa suave
um feliz natal
cheirando a sangue
frio
com os pés gélidos
com as mãos atadas
infelizmente
feridos

lágrimas e olhos
só resta o silêncio

sexta-feira, novembro 28, 2008

Prestação de Serviços


Quanto custa?
Quanto custa o quê?
Quanto custa uma palavra?
Depende, é a palavra escrita ou a falada?
A falada...
Pessoalmente ou por telefone?
Pessoalmente...
Bom, é só isso que deseja?
Não, também gostaria que colocasse junto um olhar...
O que mais?
Ah, um abraço...
Estou em dúvidas se também levo o aperto de mão...
Olha, dependendo do que for levar, se desejar podemos fazer um desconto...
Há quanto tempo nos conhecemos?
Há três anos...
Podemos reduzir algumas taxas...
Então coloca junto, três horas e meia de conversa, três horas e meia de sorrisos, hum... alguns sonhos...
Adiciona um pouquinho de amizade e amor, não muito para não pesar...
Deixa eu ver aquela preocupação ali...
Pode acrescentar alguns minutos de preocupação...
Sinceridade e vontade ao mesmo tempo.
E verdade, querida?
Ah, já ia esquecendo do principal...
Sete horas de verdade...
Agora pode somar...
Espera!
Coloca para o resto da vida a lembrança...
Está bem, vou somar...
Deu 47 anos de interesse e no seu caso, mais R$777,00...
Qual vai ser a forma de pagamento?
Em dinheiro.
Vai levar tudo ou embalo algo?
Não, não... Eu mesma levo...
Obrigado, amiga...
Volte sempre que será bem vinda!
Despedi-me levando as lágrimas nos olhos e a decepção no peito...
Aquelas que ganhei de brinde.

sábado, novembro 15, 2008

paz


eu espero
todos os dias
me esperam
e ao chegarem ao fim
os dias
se cansam
fecham os olhos
sem mim
partem
acenam
choram
é tarde
sou o único a presenciar
em passos lentos
a moça que logo ali vai
sem sombra
sem aura
apenas reflexo

domingo, novembro 02, 2008


Eu tinha coisas a dizer.
Eu disse as coisas a dizer.

Seus olhos ouviram as coisas que eu tinha a dizer.

E naquela aventura de brincar com as palavras...

Não imaginamos que gotas quentes de água salgada, um dia lembrariam nós dois.

Na música calma, saudade de inverno.

Eu disse as coisas que eu tinha a dizer.

Seus olhos ouviram quase em silêncio.

Não fosse seu coração a gritar

Coisas que eu não queria anotar.

Será que você volta amanhã para que eu possa silenciar as coisas que tinha a dizer?

Será que você volta amanhã, para apagar as coisas que eu disse?

Será que você volta, para me emprestar o silêncio dos seus olhos e guardar os pedidos de seu coração?

Eu espero você...

No sorriso úmido.

Presença colada nos lábios. Fotografia.

sábado, outubro 18, 2008

há que se encontrar um sentido


Eu andei pelas estradas escuras procurando encontrar insanas personalidades que me fizessem acreditar no vermelho escorrendo sobre minhas pupilas. Corri na direção contrária de meus fantasmas. Foi então que percebi meu rosto desfigurar por inteiro, diante de seus olhos ao me tocarem. Minhas idéias entorpecidas. Perdidas. Perdão. Eu não queria magoá-lo. No sense!

segunda-feira, outubro 06, 2008

desire


Lembranças que ecoam sem piedade.
Risos.
Vozes confusas resgatadas.
Recordações.
As mãos estendidas buscam tocar a tua existência.
O tempo, invisivelmente, as obriga tornarem suplicantes.
Imprevisível.
Um silêncio de ritmo cardíaco faz a razão, em passo lento, rir pateticamente.
Tua imagem é inviolável.
Permanece na esquina diante do futuro.
Me violenta mantendo-me presa numa terna tristeza.
Inocente na tua proteção de existir.
Aproximação.
Inequívocos eu e você.
Voluptuosamente adormecemos.

domingo, setembro 28, 2008

nostalgia


Será que é medo?
Fui repreendido, por isso me escondo?
Será que tem alguém atrás da porta?
Ou são sombras na cortina?
Será que eu me olho e não me vejo?
Ou...é profundo observar meu eu...
Quantos iguais a mim procuram respostas para perguntas vazias???????
Quais serão meus sonhos
Porque mentir a mim que eles valem à pena?
Pena...
sentido...
segredo de ser-existir n'outro ser
Que não sou...
Abro os olhos...
estático
Fecho a boca, calo os sentidos...
Será?!?
Que valeu à pena...

domingo, setembro 21, 2008

Última de Inverno


Vinte e um de agosto de 2008. Frio, lua entre nuvens, céu nublado.

Como está querida? Ou deveria referir-me a você com seus sinônimos? Você sabe tudo que tenho passado e por isso resolvi escrever-lhe. Eu falaria de uma história sem fim, de um personagem perdido, de um cigarro aceso, de fogo e os elementos essências para se construir uma vida através das palavras, porém seria chato demais, vou resumir. Eu venho falar de um ser que tem medo, muito medo do que não pode ver. Ele tem pesadelos durante todo dia e quando chega à noite, recebe um convite para vivê-la intensamente. Acho um tanto quanto estranho tudo isso, mas sei que compartilhando com você, talvez eu obtenha alguma resposta para meus devaneios. Lembra das outras vezes em que te relatei o amor incondicional que virou tormento, depois veio prejudicar a sua vida, chegando às vias de fato? Aquela mágoa sustentada a cada minuto de vivência posterior. Lembro-me como se fosse hoje o vermelho daquele sangue escorrendo pelo chão enquanto alguém gritava por socorro. Estranho foi depois descobrir que ficaria na sua intenção aquele ocorrido. Desculpe-me a falta de bom senso e a minha indiscrição, mas foi inevitável lembrá-la nessa cena enquanto correm as horas nos ponteiros movediços do relógio. Outro ponto que gostaria de lembrar aos seus olhos. Sabe do que sinto saudade? Sinto tanta falta dos dias de inverno, as árvores cinzas completando a paisagem. O branco do gelo cada manhã que eu via o sol nascer com meus olhos avermelhados, latejantes diante das páginas de um livro. Com a lareira acesa, tomávamos um bom vinho ao passo que contávamos histórias de nossas vidas perdidas e mal vividas. Pela distância que nos separa é triste escrever-lhe sem ao menos olhar em seus olhos, observar as tantas expressões de seu rosto e imaginar o que de imediato responderia a mim com um sorriso entre lábios. Coisa que nunca vi você demonstrar, um sorriso por inteiro. Sou viajante destas linhas de lembranças. Sou sonhador que não consegue ao menos fechar os olhos para a noite. Não sou nada mais que isso nessa vida e sei que é tarde para tentar alguma coisa. Estou desiludido e hoje estou de partida. Cansado, sigo em direção à primavera. Lúgubre primavera que desbota meu viver com suas depressivas flores, escolhendo a quem dizer adeus. Até breve, espero notícias suas...


19h57min
Sempre viajante do tempo.

terça-feira, setembro 09, 2008

indulto

Entre músicas sacras e pedidos de perdão.
O certo (aceitável).
E o errado (desejável).
Vertigem sossego...
Morte, paz...
Diante da "Alegoria da Caverna"
Intrigados e intrigantes buscando a embriaguês da desculpa à 70%...
Sem punição posterior.
Causas, causos sóbrios.
Sombras conformadas com a imensidão.
Gritos pretensos.
Por que ver a luz, se é mais seguro permanecer na escuridão?
Títere de um sentimento lógico.
Auto-proteção!

domingo, agosto 31, 2008

Fim dos tempos!


São sóis noturnos. Mudaram os tempos. Entre os eternos momentos de insônia e o não poder acordar, intervalos breves da estranha dor que percorre meu rosto e cega meus olhos. São noites infindáveis. Estive ausente de mim e hoje percebo o quanto isso me fez mal. Eu não passeio mais por aqui, eu estive voltando, mas o caminho deu voltas e nelas não pude pisar. Mais que cores vibrantes, muito mais que sons ensurdecedores eu acordei da vida para um mundo que não pertence a mim. Eu o comprei, foram três anos cultivando cada personagem dessa ficção. Alguns dos atores se cansaram e se retiraram antes mesmo que as cortinas vermelhas se fechassem. Não houve nenhum aplauso, apenas risos escondidos anunciando a fracasso do espetáculo. Vê? Ele encerrou e ninguém percebeu que a piada contada ali não era mera coincidência. Triste daquele que viaja sob as sombras, quando na realidade a luz está guardada em seu bolso esperando ser revelada na face decomposta de inverdades malditas...

segunda-feira, agosto 18, 2008

19 de agosto?

Assim é a vida. Eu costumava me perguntar todos os dias o que é viver a vida. Mas nunca encontrei nenhuma resposta aceitável. Entre beber até ficar sem sentido e ficar totalmente consciente e assumir a culpa, o que é viver a vida? Alguns me respondem que tem a receita certa de como é ser feliz e aproveitar cada segundo dela. Porém, sempre misturei todos os ingredientes e nunca deu certo. Quando a mistura foi levada ao forno, queimaram todas as minhas expectativas de dias melhores. Amanhã. Ah, amanhã é o oposto da minha pequena existência. Sem sorriso no rosto. E sem nenhuma emoção. Os questionamentos de criança ainda estão por aqui. Pra onde foi a menina mulher que ali logo a frente cultivava todos os tipos de flores? Não sei. Mas gosto quando minha mãe diz: Tem certeza que você lembra que tem 18 anos? Eu lhe respondo com um sorriso entre lábios. E ela, me abraça. Esse momento se eterniza. Gosto quando ela arruma sempre uma canção e canta com sua voz encantadora. Por fim, no entardecer, talvez, eu esteja feliz.

"É por nada que eu te quero
É por tudo que me dás
Quero o teu amor sincero
Quero sempre te adorar
Eu quero teu amor minha querida
Eu quero sempre, sempre te adorar
Não penses que são só palavras lindas
Que se dizem sem pensar
Te quero tanto que por toda a vida..."

obrigada, Mãe!


segunda-feira, agosto 11, 2008

Estupor


O que é movimentar-se para você?
Para mim é mover-se, dirigir-se a alguma coisa com uma intenção definida. É mostrar-se capaz de promover por si só, algo que lhe seja útil para o bem ou para o mal.
E se você concordar com mais algumas palavras, poderá perceber que esse mover-se para o bem ou para o mal é animador na medida em que remove as coisas do lugar em que estão e as faz agir, nem que seja por um minuto, ainda que seja um minuto de fúria.
Foi mais ou menos assim que aconteceu hoje. Decidi aspirar um canto empoeirado do silêncio que o cercava e ouvi coisas...
Todas as suas mágoas, seus receios, sua fragilidade... Gritando!
Um único movimento e eu nem precisei fazer nada. Você se entregou por si mesmo. Foi enxotando toda admiração existente. De verdade em verdade foi se apagando na angústia de ver você como realmente é...
Estranhei perceber você sob uma égide negra refutando qualquer tentativa de tê-lo como homem. Tão rápido foi seu movimento animal.
E embora alguém tentasse me falar de instinto de sobrevivência, logo me vinha a espada que você, ao perceber minha presença entre seus infortúnios, cravou no meu peito protegendo seu rosto enquanto meu sangue jorrava...
Por um minuto você pensou em esconder aquele vermelho amargo, mas preferiu guardar para si como presente...
Uma brincadeira de egos onde quem olhasse pela fechadura sairia com o olho furado.
Um movimento monstruosamente capaz de matar só pelo prazer de perpetuar-se na sua farsa.
Curvando-se entre o patético e o cômico, querendo apagar aos gritos o tilintar das suas incertezas...
Um homem. Um conto.
Quem sabe amanhã, no próximo capítulo, não contem o conto de um homem de verdade.
Feche a porta que eu tenho medo do vento, há uma tempestade movendo-se lá fora.

quarta-feira, agosto 06, 2008

agosto? aos sete dias...


embevecidas de nossas vontades-verdades
ora eu, ora você
disputas, desafios
nenhuma medalha
apenas sombras das coisas que fizemos

quarta-feira, julho 30, 2008

acaso


num copo bêbado
a felicidade repentina

um acordar instantâneo para a vida

ilusão de principiante

alucinante sensação de fuga, hoje

amanhã-recordes-dor-de-cabeça

quase arrependimento

infortúnios de solidão

desculpas...


segunda-feira, julho 28, 2008

à sua espera

Depois das chamas, a conta de todas as perdas.

- A sala toda queimou, assim como o banheiro, a cozinha, o quarto de hóspedes. Nosso quarto, meu amor, quase nada!

Algumas horas antes...
- Hoje você não dorme na mesma cama que eu... Durma no quarto dos fundos.

Agora estou vendo você, na posição que costumava dormir. Deitado de lado, com a mão esquerda apoiando seu rosto e a direita entre as pernas. Na sua cabeceira restos de algumas páginas queimadas e o toca-cd com o cd das músicas que costumava ouvir quando brigávamos.

Sinto muito, senhora.

quarta-feira, julho 23, 2008

iNequívoco

Ele?
Uma consequência da vida...
Assim como amanhece todos os dias, todos os dias ele está presente...
Nos pensamentos silênciosos...
Nas palavras em vem à tona...
Repetição!
Duas ou três vezes...

Na figura de linguagem...
No duplo sentido...
Ele?
A terceira pessoa do singular que vem a ser nós...
Não mais que dois, pelo menos não agora.
Na dúvida, eu sempre fico no vazio.
Foram histórias, contos, poesia, acontecimentos...
Tornam-se fatos de minha medíocre vida.

Sempre...
Eu digo sempre, mas nem sempre é o sempre.
É um equívoco do destino.
Último momento, e ele?
A distância percorre os lábios a perder sentidos.
E se me perco por alguns instantes...
Ele, nele me pego pensando...
Entre risos, rimas...

Entre disfarces, desculpas...
Sinto muito, talvez seja tarde demais!
Depois da última noite chuvosa...
Só resta esperar por novos acontecimentos.
Triste.
Plangente.
Revela-se o pesar.

domingo, julho 20, 2008

Feliz Dia do Amigo

Cuide para que seus amigos tenham o melhor de você e que este melhor seja suas atitudes verdadeiras.
Cuide para que sua amizade seja regada com o sorriso brando da confiança.
Cuide para que dela brote todos os dias mais um minuto de paz.
Converse com ela, diga o quanto ela é especial para você, caminhe com ela por entre os espinhos...
Pense em novas formas de revivê-la mesmo que por um instante.
Cuide...
Do que você jamais esquecerá.
Mesmo que um dia ela se distancie...
Cuide de guardá-la no cantinho mais profundo da alma.
Caminhe com ela...
Cuide da sua amizade como se dela dependesse todo o seu futuro...
Cuide dela...
Asssim estará cuidando de si mesmo...

quinta-feira, julho 10, 2008

um espaço entre

Delírio
Na palavra calada
Na música que ecoa amores perdidos
Delírio mórbido
Da insana loucura de ter você
Delírio
Dos lábios calados ao tocarem os seus
Delírio no arrepio que estremesse a aquibancada do prazer
A vida
Num delírio
Ímpeto de outras horas que a Lua passa por aqui
Nas lágrimas
O sôfrego contido
Delirantes olhos que me devoram a todo momento
Brincando de em você estar
A ausência me consome
Nos contos da vida lá fora
As estórias que vivo aqui
Fora de mim
Fingindo
Escondendo
Delírando
Nas palavras o bem-estar
De perdidos e indecifráveis momentos


terça-feira, julho 01, 2008

eЯЯo


Minha verdade, minha palavra escrita. Primeira vez que a virtualidade de meus sentidos tornou-se realidade de minha existência. Primeira vez em que rios de vermelhidão sangrenta sob um céu de pureza bruncura descreveram em minha alma volteios de uma emoção renovada.
Primeira vez em que os instantes, sem que fosse preciso implorá-los. Repetem-se vivazes dentro de mim.
Se choro ou se rio, não há dor. Há apenas risos ou lágrimas. Você trouxe para mim a alegria e o prazer de sentir o amor em plenitude transcendente, além da linguagem-poesia.
Meus dias se tornaram melhores por que essa tua humildade, nem tola nem depressiva, me modificou.
Nenhum olhar reflete tanto os meus anseios quanto o teu.
Fortaleza, ao teu lado. A cada dia uma linguagem. O não em estridente sim. Espaços... Espaços e intervalos. Querer-preencher.
Apavorada, surpresa. Primeira vez explosão de ternura e sensualidade em nenhum tempo reveladas a mim nem a ninguém.
Quis-me indiferença, fiz-me indiferente. Resistência!
Palavra-você, palavra-ar, palavra-fogo, palavra-lágrima, palavra-desintegração, palavras.
Comum dizer...
E essencial.
Não repita, nem revele este instante a ninguém. Conte-o a tua alma e aproprie-se dele na sensação física de saber-se assim importante para mim. Não o leia em alta voz, não... Não obrigue-se a nada.
Queira-me bem apenas.

quinta-feira, junho 26, 2008

I Hate The Words


Eu odeio as palavras!
Elas ferem minha alma.
Elas são objetos cortantes que sem eu perceber me atacam de uma forma que...
Eu odeio as palavras!
Elas contam histórias e fazem fofocas.
Elas são disfarçadas de ódio.
Elas mentem, se entregam.
Eu odeio as palavras!
Elas voltam ao passado.
Elas me deixam feliz.
E quando menos espero, chegam de mansinho e ofendem o coração.

Sabe, esses dias eu saí. Fui ao cinema. Ele, o filme, não era tão bom. Foi a impressão (a primeira) que tive, ele dizia coisas. Pensei que o silêncio iria ferir mais que as palavras. Engano meu! As palavras vieram de tal maneira que hoje estou tentando não pensar nelas.

Elas, as palavras, tem peso.
Sentido, sentimento...
As palavras são traiçoeiras.
Elas fazem meu cérebro não pensar.
Elas são maquiavélicas.
Irônicas.
Sarcásticas.
Eu brinco com as palavras para ver até onde elas são capazes de me fazer mal.
Eu choro palavras.
Delas brotam água imunda de podres pensamentos, o mundo.
Eu realmente odeio as palavras.
Eu não entendo as palavras.
Elas me contradizem.
Eu me refiro as palavras.
Àquelas que não sabem calar quando é necessário e gritam ao mundo sua distância.
As palavras têm olhos.
Elas falam.
Conseguem esconder o amor.
Eu espero por palavras.
Mesmo sofrendo, elas são um vício.
E quando bate a abstinência, eu recorro as palavras...
Eu odeio as palavras por elas serem malvadas.
Eu escrevos com palavras o céu num vermelho estranho, desbotado.
É inverno.
Nesse tempo eu mais odeio as palavras.

quarta-feira, junho 25, 2008

Contra

Eu apresento a página branca.

Contra:
Burocratas travestidos de poetas

Sem-graças travestidos de sérios
Anões travestidos de crianças
Complacentes travestidos de justos
Jingles travestidos de rock
Estórias travestidas de cinema
Chatos travestidos de coitados
Passivos travestidos de pacatos
Medo travestido de senso
Censores travestidos de sensores
Palavras travestidas de sentido
Palavras caladas travestidas de silêncio
Obscuros travestidos de complexos
Bois travestidos de touros
Fraquezas travestidas de virtudes
Bagaços travestidos de polpa
Bagos travestidos de cérebros
Celas travestidas de lares
Paisanas travestidos de drogados
Lobos travestidos de cordeiros
Pedantes travestidos de cultos
Egos travestidos de eros
Lerdos travestidos de zen
Burrice travestida de citações
água travestida de chuva
aquário travestido de tevê

água travestida de vinho
água solta apagando o afago do fogo
água mole sem pedra dura
água parada onde estagnam os impulsos
água que turva as lentes e enferruja as lâminas
água morna do bom gosto, do bom senso e das boas intenções
insípida, amorfa, inodora, incolor
água que o comerciante esperto coloca na garrafa para diluir o whisky
água onde não há seca
água onde não há sede
água em abundância
água em excesso
água em palavras.


Eu apresento a página branca.


A árvore sem sementes.
O vidro sem nada na frente.
Contra a água.


Arnaldo Antunes in Tudos

terça-feira, junho 17, 2008

convite


Sexta-feira de sol nublado. Há dias não se sentia bem. Seus pés gélidos e o carinho do vento arrepiava seu sossego. Deitou-se na soleira da calçada resquícios de sol iluminavam a cavidade toráxica aberta. Nela jorravam rios de pétalas vermelhas pelo tempo. Passados alguns segundos encerrava-se o dia. Ancorando no horizonte nuvens de acontecimentos que brotavam do solo. E se os olhos firmassem mais um segundo. Oscilavam pensamentos. Entre a boca que fede e o murmúrio da vida rasgante. Esgueirando-se pelos cantos das paredes, lado de fora seguiu alimentando a morte pela vida descolada do peito. Rapidamente seguia numa tentativa de não ser vista.

quinta-feira, junho 12, 2008

Dia 12 de junho


Con la vista sobre el mar
Busca entre las olas una señal
Algo que le ayude a olvidar
La verdad
Toda una vida de lágrimas
Cede a la locura y luego calla
Por amor a un dia
Que jamás volverá
Cuando la rosa muera
Calmará sus ansias en letras vanas
Por amor a un dia
Que jamás volverá
(With her eyes fixed on the sea
She looks for a sign among the waves
Something to make her forget the truth
An entire life filled with tears
She surrenders to madness, then goes quiet
For the love of a day
That will never come back
When the rose dies
She’ll find peace in those useless words
For the love of a day
That will never come back)...

Stream of Passion

domingo, junho 08, 2008

aversão

Foi a inversão dos dias...
Pimenta!
Inverti os dias...
Noite!
Os dias se inverteram...
No escuro!
Sua presença...
Foi a inversão dos dias!
Vermelho...
Na versão dos dias...
Perfume!
Foi o avesso dos dias...
Sonhos!
Eu quis o contrário dos dias...
Chocolate!
Se transformou na inversão dos dias...
Morte!
Lembranças...
Era a inversão do vento!
Hoje...
É a inversão do amanhã...
O amanhã...
É o verdadeiro tarde demais...
No verso dos dias!

segunda-feira, junho 02, 2008

Seja doador!


Procura-se sangue do tipo A Negativo!
Este sangue será bombeado por um coração triste, cansado.
Trata-se de lama ensanguentada de outros sentimentos.
Agora no desespero de que tudo se transforme, procura-se sangue do tipo A Negativo.
Para que percorra as veias estreitas de um canal que foi desonrado pelo oxigênio transportado.
Procura-se sangue do tipo A Negativo para preencher espaços num cérebro confuso que está a perder seus sentidos.
Procura-se sangue do tipo A Negativo para colorir uma pele empaledicida, desbotada por sofrimentos.
Procurase-se sangue do tipo A Negativo para fazer um pacto nos redores da boca que cala.
Procura-se sangue do tipo A Negativo para escorrer num punhal de prata.
Procura-se sangue do tipo A Negativo para regar flores brancas e tingi-las de negro.
Procura-se sangue do tipo A Negativo para refletir o sol no espelho.
Rubro que se põe a toda hora.
Da dor, doa-se sangue do tipo A Negativo!

quinta-feira, maio 29, 2008

So sad


Contas de pedrinhas de gelo brilhantes formuladas por gotas d'água misturadas ao gosto salgado da verdade que dói, mesmo assim tem que ser revelada...

sábado, maio 24, 2008

Recordação


Eu quase pensei que era sonho. Não fosse o barulho das businas e o barulho do pneu no asfalto. Sei lá, estava tudo tão calmo, tão pleno, parecia mesmo sonho. Recostei-me no banco e fui vertendo expectativas; será que interrompo o silêncio e me atrevo a pronunciar uma coisa qualquer? Não! Talvez seja inconveniente. Uma olhada rápida na tela do celular, passa das 23h... Os minutos entre o corredor e a porta, depois dos créditos do filme, acho que aquele filme quebrava alguma coisa ou alguém brigava... Estava confusa será que eu comento o roteiro? Talvez seja melhor guardar a magia das gotas vermelhas do sinal cair. O ronco do motor, um tropeço na marcha, só mais um minuto e tudo se acaba, bocejo de sono. Um olhar com o canto dos olhos e o silêncio se quebra ao abrir a porta.


-Boa Noite, meu anjo!


Você ficará bem?


Escolhendo as palavras, respondi em ton de despedida...


-Vou sim!
E não voltei, nunca mais...

terça-feira, maio 13, 2008

"Eu que não amo você"

Conversando com um amigo, busquei respostas para alguns assuntos. Nada muito esclarecedor, porém encontrei algo, nas coisas guardadas, que me chamou a atenção e quem sabe mais tarde possamos chegar à alguma conclusão...


"Pois é, voltamos ao velho ponto... Amor de ontem pra cá?
Eu posso interpretar isso como se o amor não existisse para você antes de ontem?

Eu amo muitas pessoas, eu amo muitas coisas, porém, não acredito no Amor...
O que é melhor?
O que é pior para determinada situação?
Por que as pessoas desejam tudo de bom umas para as outras?
Seria uma forma de dizer: "Eu te Amo"?
Ou apenas palavras?

Eu te amo, eu te odeio não quer dizer nada, se forem ditas dessa forma...
Mas existem formas menos diretas que tem o mesmo impacto, embora eu não acredite no amor.

"Rotina rodando redemoinhos de vento...
Bastardos fingidos sondando a espera do que nunca vai chegar...
Está frio, mistura de sons e de silêncio, música...
Quem tem uma história para contar
Algo que faça enrubescer tardes de inverno
Como vai?
Estou bem e você?
Uma sensação de vermelho
Pois é, você sumiu...
Imagina!
Você...
Sabe, estive lembrando algumas coisas...
Cheguei a..."

by J.D.S.

Logo me vem a resposta...


Eu não Cheguei a...
" Se eu fosse a diferença entre o ser e o não ser, saberia falar do amor e do ódio na mesma intensidade, mas deixo, à mercê deles esse fardo.

Entre homens que ficam assuntando, rodeando essa verdade imprópria a eles, (amor?) deixo novamente a mercê deles, minha opinião...

Quando não tenho coragem de dizer aquela palavra naquele momento, para aquela pessoa.... eu, também, finjo estar fingindo que é fingimento o que sinto.
Sinto? o que?
"Morra!
Não, obrigado. já estou em desespero..."

Nunca entendi o que eu deveria dizer com as palavras, mas sempre entendi perfeitamente o que digo com elas.
Não chego a conclusões... mas a respostas parciais, tendo essa vida parcial-mente, mente-parcial, livre-mente mente-livre, eu não entendo... mas posso lhe contar o que vi...

Ontem, a festa estava muito grande, fui muito bem recebido, infelizmente não pude me divertir, quem me conhecia queria minha companhia como forma de ajuda, eu brinco com você, mas não pode ter idéia da seriedade que sou na 'vida real...
Vi a Susan, aquela minha amiga, me deu um abraço forte e brilhou aquilo em mim, a irmã dela a aniversariante, me recebeu muito bem, eu e meus amigos que levei junto, me apresentou a umas 40 pessoas, não lembro de ninguém, sei que meu bolso tem bilhetes ainda com números... com nomes... com vidas.
Estampei um cartaz em minha cidade, Dizendo: "Procura-se os perdidos..." e eles são muitos... poucos os procuram...

De ontem pra cá eu acredito no amor, por que desejei acreditar no amor um dia... Literalmente, Um dia, mais que isso é besteira.
As pessoas me falam do amor, para que eu fale do amor as vezes, mas eu nunca amei, nunca disse "Eu te Amo...
"Estou muito bem...
Talvez meio vazio, mas deixe-me vazio, o lixo não quero dentro de mim.

Mas amo você sim (não me contradizendo entende do que estou falando) eu na verdade gostaria muito de lhe dar um abraço apertado, e isso também brilhar em mim, adoraria não estar me divertindo contigo ontem, para estar contigo ontem, lembro de você de vez em quando... mas não digo eu te amo, talvez você não precisa disso, ou talvez..."

Minha luz não é mais forte, mas tem outra intensidade, que quando vista, não deve iluminar... deve ser absorvida, se eu pudesse absorveria também...

Tudo de bom..
E assim amo você.

by M.K.

domingo, maio 11, 2008

Feliz Dia das Mães!

Eu não tenho Mãe.
Eu não sou Mãe.
Eu não sou filho.
Um vento bateu, me trouxe me deixou no meio do mundo!

quinta-feira, maio 08, 2008

Atestado de Óbito


Morreu...

Foi comprovada a morte do Sr. Zuleiko Cat, no dia 16/10/2006. Contava sua dona, Jaciara, que na manhã do dia 05/09/2006 ela, como de costume, colocou a comida do Zú no seu prato, trocou sua água e seu leite e chamo-ou para o abraço da manhã, no entanto, ele não apareceu. Como isso acontecia sempre (o Zú era muito galinha, contava ela), não se preocupou...
O que Jáci não esperava é que os dias iam se passar, um após o outro e ele não voltaria. Após procurar por todos os lugares, telefonar para os amigos, rodar madrugadas inteiras de carro por aí, depois de muito choro só restava a ela esperar por notícias.
Elas chegaram hoje!
"Dona Jaciara, é com grande pesar que comunicamos a morte do seu gato, Zú Cat. O corpo foi encontrado na manhã de hoje, dia 16/10/2006, nas proximidades da casa do marido da esposa da mulher com quem seu gato mantinha um caso. Esperamos sua presença para reconhecer o corpo."
Gélida e trêmula dona Jaciara ficou a olhar no vazio, vestiu-se de preto e disse com uma voz precisa:
"Eu o amava!"

sábado, maio 03, 2008

hist(o)rias


Eu busco respostas nos livros, na vida e não encontro saída.
Por mais longe que eu permaneça de mim mesma sempre me encontro em cada objeto, e ali acima está...
Pouco, muito pouco para realmente saber quem eu sou.
Eu nasci de uma pessoa inexplicável e hoje tento encontrar explicação em mim.
Eu estive lá fora, o céu está estrelado.
Presenciei o conflito das estrelas no infinito.
A música toca - "me apaixonei por mais um olhar...e o instante é pouco para sonhar"
Quero ir além.
Eu zerei minhas emoções.
Eu zerei minha vida.
Nada nela consta.
Apenas o dobro de algumas palavras perdidas, e ali acima está...
Eu odeio você!
A Caligrafia perfeita.

Seus acordes ecoam no universo...



"Olha essa estrada sem fim,
Ela chama por mim
Eu vou pra ser feliz"


Só o tempo dirá se realmente valeu à pena.
Triste inspiração embevecida de água fervente que queima, mas com o tempo cicatriza
.

terça-feira, abril 29, 2008

Feeling


Sento-me aqui neste canto sombrio e frio de minha alma.
Encontro fantasmas que me dizem o que fazer.
A minha consciência perdura no inevitável.
Somos matéria viva.
As respostas estão revoltas ao que se diz verdade.
Se hoje você surtou.
Ontem eu estava em paz.
Se hoje você não acorda.
Ontem eu estava velando o seu sono.
Sonhos! Eles estão em cada palavra gravada em ouro com vestígios de prata.
Éramos.
Veneno na cura do não existir.
Em mim, você.
Você?
Uma insistência doentia de comigo estar.
Na lembrança calada.
Segredo de inverno.
Do coração de pétalas, à rocha que se desmancha com o vento
São seus olhos!
Eles me devoram cada vez que tento fugir.
Escondo-me nos arquivos bibliografados.
Senhas inimagináveis da descoberta.
São seus lábios!
Eles selam com violência mais uma fase dessa história.
Volte, o caminho será menos tortuoso.
Permaneça e alguém morrerá.
...

sexta-feira, abril 11, 2008

(in) Versão

na busca doentia de voltar a sonhar
me perdi novamente na escuridão de seus olhos
foi um adeus, como todos os outros
ecoa o reflexo na imensidão
minha vida é um círculo vicioso de onde tento escapar
as épocas são as mesmas
por que reencontrá-lo?
atormentada pelos erros
busquei respostas no passado
se eu tivesse esperança
da transformação do vento, viria a chuva
revelações
serei eu para todo o sempre
o todo sempre me será
na revoada do amanhã
a angústia que embala cada milésimo de inexistência
na simetria perfeita
eu desejo!
n'outro ser
a projeção do que ali logo abaixo poderia ter sido
quase sete meses
eu não fiz promessas
cumpri todas que me fizeram

sexta-feira, março 28, 2008

Livre inspiração

Por que toda despedida é dolorosa, triste? Quem um dia foi para algum dia voltar, voltou? E se voltou, voltou a mesma pessoa? Estamos aqui e no segundo seguinte já estamos muito além de nossas atitudes, desejos e realizações. É triste dizer adeus para as pessoas que você ama, para aquelas que você odeia ou ainda aquelas que você sabe que jamais encontrará em qualquer lugar que você for nesse mundo. Sabe o que se leva daqui? São as risadas gostosas, as amizades inesquecíveis, as juras eternizadas. Esperar pelo retorno e sentir a ausência essência contida de vida. Os ventos serão outros, as pessoas modificarão o seu jeito de ser, mas nada se compara a saudade que sentirá. Eu fiquei à espera do outono e quando você se for já será inverno. Palavras contidas de emoção. Dói, mas não interfere diretamente na minha vida. Inspiração movida a brigas e e ecos de vozes perdidas em algum sentido da alma. Nostálgica lembrança de quem um dia voltará.

terça-feira, março 25, 2008

Início

Foi chuva, foi frio, foi morte. "No dia em que fui mais feliz" existia névoa sobre os ombros de um amigo. Existia música, melodia. Eu gostaria que no dia do meu cortejo estivesse tocando Evanescence. Gostaria que o tempo permanecesse no eterno. Que as pessoas não chorassem, não sentissem minha falta. E que na última caminhada eu pudesse me lembrar de cada palavra dita por minha mãe. No trêmulo movimento das folhas, seria meu último adeus. Deixaria a saudade de não poder ter conhecido algumas pessoas. Na penumbra do dia, na última vez que me vissem, pele pálida, boca vermelha feito tulipas, pediria que guardassem consigo essa minha imagem. E que a chuva fina fosse um convite para nova vida. Sem mim, mas guardada a minha lembrança. Assim fui feliz.

terça-feira, março 11, 2008

I wish


Um estímulo sobre a mesa do jantar entre as coxas assadas e o molho quente de chocolate.
Beijinho, massa e maçã.
Um bebê à espera de nascer.
Várias sensações.
Outro estímulo depois do jantar.
Brancas nuvens, travesseiro de pluma, vinho fervilhando nas veias.
Fita adesiva, gosto de lábio úmido.
Resultado do desejo da tentação e da gula.

domingo, fevereiro 24, 2008

-


ele me pediu pra sair ver a noite
"vem meu amor, o céu está lindo"
eu estava tão cansada
"não, querido, outro dia, estou cansada
a noite sente... pela manhã o sol levou você

domingo, fevereiro 10, 2008

Quando Você Voltar


Eu espero que você me faça bem
Assim como todos os dias
Me faça sorrir como meu coração está agora
Apague minhas dores
Com o poder que você tem
Me fale como é o mundo
Me faça viver
Quero que seja meu caminho
Meus passos
Assim como tem sido todos os dias
Eu quero que seja como sempre foi
Mesmo que signifique nunca poder vê-lo
Nunca poder tocá-lo
Mesmo você sendo presença viva
Nessa minha sonhadora vida
Espero...

conflito



Estou me despedindo de mim
Dando um fim a tudo que fui
A tudo que fiz
A tudo que pensei ser
Estou dando adeus a meus segredos
A minha história
A minha vida
Estou indo embora de mim
Para sempre
Hoje eu me vou
Sem culpa
Sem medo
Nenhum arrependimento
Estou indo embora
Um terno adeus
Viagem sem volta
Dentro de mim um adeus
E se amanhã eu voltar
Não me espere
Já serei outra, noutra
Eterna e nova pessoa

terça-feira, fevereiro 05, 2008

SMS


Quem não gosta de contos de fadas. Bobos daqueles pensarem que são apenas para crianças. Veja só, aconteceu um bem há pouco tempo, história de amor sem fim. Não sou boa em contá-los, entretanto as pessoas adoram me envolver neles. Foi logo nos primeiros dias do ano, príncipe encantado, amor dolorido e moça que de nada sabia. Lá pelas 16h, o sol terá mais um motivo para brilhar e o amor um motivo justo para existir. Num passe de mágica, quero um beijo seu. Nada mais que virtual, imaginei eu. Não, estava enganada, no decorrer dos dias passariam horas de juras sentimentais eternas. Frases curtas, mas precisas. No século em que estamos, não precisa saber quem você é, apenas uma justificativa do que se quer. Mais um telefonema. Toca dez vezes por dia, súplica de cada nota da melodia exalada pelo celular. No momento certo, pode ser que aconteça em minha vida, quando for a hora exata, tê-la-ei em meus braços, pode ter certeza de que nada e ninguém poderá tirá-la de mim. É, e eu pensei que esta fase já tinha passado. Só hoje, amanhã será um outro dia, você não terá a chance que estou te oferecendo agora. Não foi exatamente isso, porém são quase as mesmas palavras. Numa viagem inesperada, vem o susto. Depois de três horas de conversa, surge a brincadeira. Logo em seguida a ira da pessoa que realmente ama, cuida e espera pela outra. No dia seguinte, diria eu, só amanhã, tudo se resolverá. Num desgaste extremo do tempo, das pontas dos dedos e do tímpano afora, acontece a revelação. Jamais poderia ter sido. Na sexta-feira o silêncio, o sumiço por três dias. Ah, se você soubesse, não estaria como eu. Como se daquilo a temperatura do corpo subisse, a cor imediata da pele se tornasse amarelo empalidecido, seria num intervalo de meio em meio segundo as pontadas em todo corpo. Num funeral à rosas e tulipas vermelhas, enterrei-a no fundo do meu coração. Talvez essa fosse a última vez que eu leria tudo aquilo. Por mais alguns dias cinzentos duraram inexpressivas palavras. Sinal de vida, quem sabe ainda existisse. Você marcou demais a minha vida. Nos fundos, o cochicho vem logo atrás do “foi tarde, muito tarde”. Como gotas de chuva as lágrimas de quem nunca amou, mas que tem o dom muito bonito de fingir. Mentir é fácil, difícil mesmo é não acreditar na própria mentira quando ela foi mais que bem feita.

sábado, janeiro 05, 2008

desvio


num movimento

cilindro

cubo


soltaram-se


linhas


amargura


eu li


histórias


dois anos


aos trinta dias


desvia


entorpece


do ópio


a dor


morfina


gotejando


lá fora


preto


red in back


dentro


do quarto


novo


ano


novo


numerológicos


momentos


fechados


coração


mentira


algum


futuro


presente