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domingo, abril 30, 2017

And

Estive observando a súplica em suas palavras... A noite estava iluminada pelas estrelas que de longe observavam o brilho de seus olhos. As lembranças inevitavelmente se faziam presente num instante, quase mesmo numa morte orgásmica fez com que acenasse em sua direção. Nada mudaria não fosse a distância de algumas horas em meio a penumbra existência de uma noite de outono. Um acidente no caminho de volta ao seu coração, perderam-se os sentidos... Repetia incessantemente: eu odeio você!

quinta-feira, março 30, 2017

in your eyes

dizem que os olhos mais tristes, são também  os que carregam o brilho mais bonito
Talvez por isso ele tenha os olhos mais lindos que já vi
e mais tristes também
...tem dias que chega em silencio
em outros ele sorri como se tivesse conquistado o mundo
Aquele sorriso que abala qualquer coração
sim...seus olhos estão tristes e cansados por tropeçar em lembranças felizes
Já não vive mais a vida com o mesmo entusiasmo
talvez os dias tenham sido duros demais com ele
que se perde entre a linha tênue da alegria e da solidão
Em dias como esse, as lembranças surgem como uma adaga que atravessa a alma
...silencio
Talvez...num dia qualquer toda essa dor pungente desapareça
...talvez aquele sorriso bobo de menino volte a iluminar seus dias, como os sóis de verão num amanhecer de Natal
são palavras que se despedem
são sonhos que ainda teimam em sobreviver para uma vida que talvez já não viva mais para realizá-los
entre uma confusão de pensamentos e sentimentos ele vai se perdendo
numa via de mão única...voltando para casa
deita-se sobre o lençol branco e gelado...e abraça uma esperança dolorida
...o coração que bate, latente, tentando sobreviver ao não mais
disse ele baixinho, sussurrando em seu quarto escuro: 
- "Nós não estávamos preparados para aquele dia em que tudo se foi com o vento passageiro de outono"
Ainda lembra deste dia...
o sol se escondia...e as folhas secas corriam pela calçada ainda molhada pela tempestade de lágrimas da última noite
Com os olhos lacrimejantes...ele disse adeus
ele não foi embora...mas disse adeus
guardando em seu coração a dor de um amor que já se foi
                                                                          ...


quinta-feira, junho 02, 2016

passeio

muda a regra
         rega a muda
que tudo muda
a vida floresce 
  a sol dá vida
    muda a vida
...e a vida segue

segunda-feira, maio 16, 2016

Já está tarde...

"Pois é" - foram suas últimas palavras 
Quando achamos que os caminhos trilhados vão nos levar à um novo lugar, nos damos conta de que a vida gosta de nos mostrar que não somos donos do nosso destino. Mas podemos ajudá-la, encontrando sempre uma forma de melhorar o que pode ser melhorado e agradecer pelas graças recebidas. Então, vamos nos aprontar para as orações, também não esqueçamos de agradecer pelos sorrisos, mesmo que cansados do dia chuvoso e atarefado. Não vamos esquecer daquela música que ouvíamos quando ninguém mais queria ouvir as bobagens que tínhamos a dizer... Sim, hoje podemos notar que talvez um "adeus" realmente seja a liberdade que tanto almejávamos. Depois de alguns dias caminhados pelas ruas da cidade, chutando as pedrinhas da calçada e pedindo insistentemente a Deus por uma resposta aos seus anseios e devaneios, ele descobre que seus olhos estão vazios, suas mãos estão vazias e seu abraço está vazio. Voltando para casa, depois da sagrada caminhada de todas as noites, ele descobre que seu quarto está vazio, sua casa, também esta vazia. O que se encontra por ali são apenas alguns vaga-lumes que teimam em costurar os cômodos da sala, a luz da lua e o vento gélido que entrava pelas janelas antes que ele as fechasse... Nessa busca incessante pelo perfeito, descobre que as imperfeições daquele sorriso das tardes de sábado, já não vai mais voltar, ainda que essa lembrança latente em sua alma o transforme...ela já não pode mais voltar
Depois de descobrir que o tempo é o carrasco da vida...debruça-se junto a rosa que levou para ela, em cima do mármore branco e gelado e com as mãos ainda trêmulas e a voz embargada pela emoção do último monólogo, faz uma prece...
"Já está tarde, tenho coisas a fazer" - disse ele.

sexta-feira, abril 22, 2016

Prece

Hoje, descalça pagando alguns de meus pecados parei em frente a porta do palácio de Deus... Templo, onde todos acomodados faziam suas preces. Olhei tentando encontrar o início do altar e avistei a presença de Deus, que rapidamente saiu pela porta dos fundos. Aí compreendi, que talvez ali não encontrasse a resposta ao meu apelo, às minhas preces... Que Deus tenha piedade de você... Que Deus realmente perdoe você...

ontem

Em todas as línguas eu o vivi...
Assim que por vezes vi a súplica em seus olhos para que eu voltasse...
O tempo estava ensolarado, estávamos descalços, corremos e aos poucos ele foi se despedindo em palavras de: "Bom dia!" ao findar de uma noite.
Repetidamente sepultei dentro de mim na língua dos amantes, eu o apaguei em linhas de solidão... 
il est mort, il est mort...

terça-feira, maio 26, 2015

e...

Nunca fui de suportar as lamúrias da vida que em dias de outono a chuva conta histórias que nem deveria mais lembrar. Na ausência sempre encontramos um modo de justificar aquilo que deu errado, na primeira, na segunda e nas próximas vezes. O barulho da água transbordando de seus olhos como as ondas de um oceano revolto, faz perceber que nem sempre tudo aquilo que desejamos é o correto para a vida. Para você. Sonhos perturbam as noites em que a cama inquieta te empurra para apenumbra que existe embaixo dela. Brincamos sem nos dar conta de que estávamos morrendo aos poucos...Hoje completamos a missa de sétimo dia em que ninguém mais se lembra quantos passos demos em direção a saída oposta de seus (nossos) desejos. Fechamos lentamente os olhos e recordamos ao chegar em casa sua ausência, na verdade nunca esteve aqui...foram apenas segredos escondidos em papeis de presente que nunca foram abertos. Procurei em cada segundo encontrar algum resquício seu que me fizesse feliz..Calada segui na direção inversa, espero que esteja bem, assim como... Não sei, apenas os anos passam e não somos mais os mesmos.

segunda-feira, maio 25, 2015

Adeus

Há um cortejo fúnebre dos gatos que em passos lentos se despedem de mais um que se foi... Afogada na tentativa de sobreviver mais alguns segundos, seu bigode levemente se movimentou... Logo o cântico dos felinos deu o adeus a alma mais velha das sete vidas... Foi-se no negro da noite chuvosa... A impressão que fica, talvez ela tenha vivido muito, talvez ela tenha vivido pouco... Talvez ela nem tenha vivido... Sem nenhuma história pra contar! Adeus... O silêncio ensurdecedor guarda rapidamente a realidade...

sábado, maio 16, 2015

...já faz tanto tempo


...quantas lembranças uma música pode guardar? Em silêncio, ela caminha pelo corredor e chega até a sala. Guarda em seus olhos momentos que eternizaram-se em sua alma...um breve suspiro para que pudesse notar as recordações transbordarem pela luz da lua que entrava pela janela da sala e instalava-se em todos os cômodos. Quem disse que a vida esquece de olhar em seus olhos e mostrar-lhe que suas fraquezas ainda moram contigo e por um instante você pode desmoronar...momento envolto em um passado que se compõe em partituras empoeiradas em sua mente, quase esquecidas, mas que teimam em se fazer presente em noites como esta...e  o sopro dos ventos procuram encontrar canções menos dolorosas para que a vida seja como o toque suave da chuva de verão. Já faz tanto tempo que a solidão deixou de ser passageira e vem nos visitar todas as noites, como vagalumes que costuram o céu noturno desse inverno que nunca se vai.  E você descobre que apenas vive, dia após dia, esperando que a vida possa, em um momento qualquer, voltar a proporcionar-lhe momentos inesquecíveis como aquelas lembranças guardadas nas nossas canções de Vivaldi. Esperando então, ela fica...para, quem sabe eternizar um novo amor em novas lembranças, em outras canções, em outros silêncios, em outras recordações...sem que o mundo ao menos desconfie, que um dia, por breves momentos, suas mãos puderam tocar os ombros da felicidade...

terça-feira, abril 21, 2015

anos.. anos..

Mais uma vez o outono chegou... A mim trouxe algumas sensações inexplicáveis de como a vida está... Difícil acordar todas as manhãs apenas abrir os olhos e não pensar o que será daqui algumas horas depois de ter observado pela janela como está a rua e as pessoas apressadas seguindo a arritmia do relógio frio. Chegamos no mais difícil e com certeza desistir não seria a opção correta. As mãos tentando aliviar o cansaço dos olhos, acalentam o rosto cansado expressivo de tantas histórias já vividas. Convite para em silêncio caminhar de um lado para o outro tentando achar o que se perdeu em meio a tantos sentimentos. Triste, perdido, errado... nunca ninguém tem a certeza do que acontece com o outro... Apenas vamos seguindo a estrada inversa de tudo aquilo que se esperava ser... Entorpecida, hoje pela manhã o outono realmente bateu à minha porta... trouxe algumas verdades e muitas incertezas... pois só dessa maneira é que se vive a vida, a certeza de que os dias jamais serão iguais...

quarta-feira, junho 11, 2014

quem sabe, amanhã...

Sabe esses dias em que o tempo nada diz do nada? Somos assim, hora tempestade, hora vontade de se acalmar em qualquer canto da vida lá fora. Vagarosamente seguimos em frente e o frio no fundo da alma faz de nós presença na ausência que algumas vezes é mais preciosa do que qualquer motivo para sorrir. As ruas cheias de vontade de vencer em mais um dia de outono que aos poucos se despede. Os olhos atentos a todos os movimentos de seus olhos, a voz que nada fala justifica o momento do esquecimento. Estar doente, febril não quer dizer que eu não possa sentir a verdadeira vontade de voltar algumas escadas e descobrir que nem sempre as coisas valem à pena. Caminhar sem motivos para olhar e observar o passado de ontem e de algumas horas atrás... Decepcionada, sigo com a cabeça baixa tentando contar as pedrinhas que machucam os pés... Talvez, nessa ânsia de ter o que dizer nos afogamos e morremos lentamente na pressa de voltar para casa. Mais um acidente trágico na estrada de querer encontrar sentido para viver...

quinta-feira, maio 29, 2014

você já vai voltar...

Às vezes o que mais precisamos é de um pouco de atenção, palavras bonitas e alguém que compreenda o que se passa dentro de nós... o que as pessoas esquecem é que reciprocidade de sentimentos é essencial para uma boa convivência, estar com você é a mesma coisa que estar sem você... Ao passo que sua presença se  torna tão ausente como numa noite em que se espera a luz da lua. Nessa de brincar com sentimentos esquecemos que o coração todas as noites sofre calado nessa ânsia de viver o impossível. Na brincadeira de dizer verdades, acabo entrando num caminho sem volta, à luz do dia se torna penumbra plangente da alma... Talvez eu sinta saudades, talvez eu sinta um vazio, talvez eu nem sinta nada... apenas a sua essência que se distancia com a brisa de um dia de outono se despedindo num silêncio sem fim... 

domingo, maio 25, 2014

amanhã...

Olhar pela janela e lembrar quantas histórias mal vividas faz com que a vida tenha algum sentido... Estar só é a mesma coisa que estar sem você... Uma bebida para aquecer essa alma que busca o tempo todo você... E o desejo que tudo se torne realidade, um jeito tresloucado à espera de alguma coisa que preencha esse vazio que insiste em preencher a sala... Na ausência das palavras e o barulho da chuva, estive voltando e quando te encontrei... Foi tarde ensolarada em que o Sol esquecia que os pensamentos poderiam ser queimados. Hoje esperando que amanhecesse para que a escuridão passasse esqueci mais uma vez de mim, pois num sonho de impossíveis você sempre é o primeiro a chegar. São seus olhos, seu sorriso sem graça... Ou até mesmo simplesmente você, faz com que as horas passem mais depressa e isso me preocupa. Quando tudo acabar, que histórias teremos para contar? Um abraço de esperança e o desejo de que tudo aconteça de modo que até mesmo a respiração prenda por alguns segundos... Acho mesmo que amo você...

sábado, maio 17, 2014

foi hoje...

Talvez eu sinta saudades das palavras que me escreviam bem ao longo desses nove anos... Estar presente em cada sentimento que aos poucos se tornava cada vez mais inconseqüente na busca ilógica de uma verdade que nunca existiu. Lembrar é reviver ainda mais quando cada segundo de vida foi guardada em palavras numa linha meio torta que nunca quase ninguém soube explicar. Ora era fantasia de mim um segredo que até hoje tormenta a insanidade do louco a me esperar... Foram anos maravilhosos, em que qualquer gota de chuva contava uma história, a escuridão dos dias de frio e a vontade de não mais sair da cama. Fugindo todo tempo cair em si mesmo dói de uma maneira sofrida cicatrizes jamais curadas. Saudades de tudo que está bem aqui e insisto em não ver, incógnitas, fantasia de mim... Tantas foram as expressões que talvez essa noite alguém abra as portas do passado para descobrir que um dia fomos nós. Talvez esse sentimento plangente tenha voltado a viver aqui e uma nova história se inicie nessa ânsia de se manter viva... Dentro de um quarto escuro que insiste em contar verdades... Só espero que ele volte.

sexta-feira, abril 11, 2014

foi em abril...

É triste perceber o quanto muitas vezes alguns momentos a vida é injusta. Olhar para o céu numa noite como a de hoje, impossível que algumas lágrimas não se tornem verdadeiras nesse desespero de tentar achar alguma saída. Profundamente perdida entre escolhas e o desejo de não mais, estamos sem saída, estamos sem saída... repetíamos várias vezes durante alguns segundos. O coração sofrendo descompassadamente nesse ritmo cardíaco fúnebre, que em dias de finados passa desapercebido. Buscar respostas quando as perguntas ainda são as mesmas é a certeza de que tudo se encontra imodificável e daqui talvez nem saiamos vivos... Mesmo que amanhã seja outro dia, impossível não sofrer o hoje, pois amanhã já foi ontem e nada aqui cicatrizou. Subjetivamente esse dor segue sem que os outros percebam, sorrindo a toda hora... Quem sabe nessas palavras alguém encontre o verdadeiro sentido da desilusão. A vida perfeita como está, penumbra madrugada do não existir. Em tempos assim, impossível não olhar para o céu numa noite como a de hoje, à sua espera...

quarta-feira, maio 22, 2013

Um olhar, uma espera, um Adeus?




Vamos contar?
Contar sabendo fazer certo a soma de tudo
Vamos somar as datas, as horas, os dias de angústia, sofrimento e solidão?
Quanto vale tudo isso?
Sentir? Sentir que a vida pode ser bem mais do que se pode descrever em gestos e palavras
Sentir o que uma mãe sente quando um filho exclui  sua presença, sua...não
Quando falamos em amor, falamos em...?
Não, você realmente não sabe o que é isso
Mas eu sei de uma coisa que você conhece bem
Ingratidão
Lembre-se de tudo o que se passou realmente
Lapsos de memória mentem e desmentem a tua realidade
Perdas???
O que são essas perdas para você?
Perder um pouco de sangue por suas próprias escolhas erradas
Por uma neblina misturada com o alvorecer da manhã que envolvia seus olhos
Não julgue a dor do Guardião das Noites que passou ao seu lado, minuto a minuto para que você  pudesse sentir que ainda era um pouco humano e que assim sempre foi tratado
Diferentemente dos outros
Outros?
Sim, e assim posso chamá-los: outros que estavam ao seu lado, quando você esteve lá, naquele porão que chamavas de casa e com ela a comida que destinavam aos animais...assim como você, pois você também fazia parte daquele momento
E quando, na noite em que fostes jogado pedra, e arrancado tuas carnes pelas unhas de um demônio que não teria aquele direito, você ligou chorando para ouvir uma palavra de conforto, carinho, amor.
Diga-me, o que aconteceu?
Não, melhor não responderes, mesmo porque tuas palavras não tem mais valor algum
Chega de mentiras embebidas de sofrimento tardio
Difícil mesmo e conviver com as suas escolhas tortas
Hoje sim...hoje está fácil não é mesmo
Fácil, apenas escolha o alvo e aponte, mas cuidado que ao acertares poder ser que mate tua verdadeira felicidade
Ser feliz de coração limpo não é mesmo?
Procurar uma felicidade numa nota de 7
Não, ela não precisou e não precisa disso
Quem nasceu pra ser anjo, nunca fará papel de demônio, por mais que você queira
Diga-me quais foram suas escolhas, diga...
Mas lembre-se realmente quais foram antes de atirar farpas de amargura em quem acreditas estar errado
Antes de acreditar que suas atitudes estão sendo criticadas por pura maldade ou ressentimentos
Se você realmente acredita em outras vidas, deve saber que o julgamento não é feito aqui
Não é por minhas, ou pelas suas, ou pelas sete, das sete vidas, dos sete sonhos que será julgado
Não, não se desculpe, não se julgue sem ter esse poder
Porque, como diz o clichê :”Querer é diferente de poder ”
E você não pode, não pode, e você sabe disso
Passar os dias sorrindo e feliz é muito fácil
Difícil como deve você mesmo saber, é passar uma noite toda cheia de felicidade.
Então...vamos seguir em frente não é mesmo
Pois a vida não é feita só de datas, nem mesmo de números citados com maldade.
Vamos contar para o número sete, que não só agora, mas que sempre ele fez sentido, sentido para a vida, não só do número oito, mas para todos os sete lados da vida precisamos do número sete.
Lembre-se das coisas...para que no dia que a vida enviar sua conta, você possa pagá-la e não deixar saldos negativos para vidas posteriores 

fui eu...


Escolhas?
Eu fiz as minhas e ai de quem entender que foram as erradas. Eu juntamente com os cachorros ao meio fio comia a comida que tinha restado depois de dias de trabalho pesado. Cansado, andei algumas quadras a mais para mostrar a casa que construí e as mentiras derrubaram.
O sol esquentando minha cabeça mostrava que algum dia no futuro algo mudaria. Subi montanhas e de lá despenquei como uma penugem de pássaro que caiu ao ser atingido por uma pedrada que um menino malvado desferiu em minha direção. Levantei-me quantas vezes foram necessárias e eu tinha para onde voltar. Carreguei o caminhão com as lembranças que maltrataram por minha própria língua...
Cheguei à casa de minha Mãe Iza, um a um ela desencravou cada espinho que estavam em meus pés. Passaram algumas histórias e resolvi viver sozinho novamente, claro, eu posso viver longe do medonho sistema em que entrei para que fosse salvo de alguma justiça que poderia existir.
Qual foi a surpresa? Que mais algumas vezes errei, e errei gravemente a ponto de enxergar alguns ferros na minha frente.
Algumas bebidas, vinhos e pimenta ao inimigo, que eis senão quando talvez fosse menos inimigo do que com quem eu realmente convivia. Mais uma vez saí ileso a qualquer mal que poderia haver.
E nesses caminhos, novos caminhos... Quem bate à minha porta? O passado, nova geração que trouxe muito mais felicidade mesmo que nessa mentira eu saia com alguns ferimentos. Acontece que o presente cresce a cada semana dentro de outra pessoa que um dia tive alguma confiança.
E fora desse sistema, talvez... por vezes eu não ouça mais essa voz. Cansada se despede, pela manhã por tudo que soube pela madrugada. Vigiando meus passos, posso sobreviver sozinho. Posso sofrer sozinho.
Afinal, a vida é curta para tantos quais forem os erros que cometerei por isso me deixe.
Pois de nada vale tê-la ao meu lado, Mãe Iza, se de ti só ouço o que escondi das minhas amadas. Seguirei nesse instante e se algum dia eu voltar e você não esteja mais para presenciar meus castelos de areia, não importa, pois eles são meus e não seus.
Cuide para que essas palavras não atinjam ninguém, na medida em que vou seguindo meus erros, seus erros de querer me livrar de outros erros.
Vivamos você aí e eu aqui. Não precisa ir muito longe para saber...
Eu? Escolhi...  

20 de maio de 2013



Eu vi tantas vidas passarem por este chão
Eu vi um anjo capaz de curar cada ferida aberta de cada uma dessas pessoas
Eu a vi construir pilares de  aço para cada um de vocês
Eu vi sonhos serem cobertos de luz, cor e música
Eu a vi curar a loucura, eu a vi cuidar de todas as dores do corpo e da alma
Eu a vi esperar amanhecer para que você pudesse dormir sem medo
Eu a vi cobrir todos os dias ruins com amor, um amor incondicional, que se transformava em vida quando estávamos cansados e sem forças para lutar
E eu vi que você não soube reconhecer isso...
Quantas vezes você rezou, pedindo para que os deuses levassem seus sonhos ruins?
Quantas vezes você pediu para que o mundo não caísse sobre sua cabeça?
Quantas vezes anjos e demônios atormentaram seu sono durante a noite?
E agora, agora você acredita que não precisa mais de uma benção?
...de um bom dia, ou de uma boa noite?
É, realmente você não precisa
Quando se tem “filhos-demônios”, capazes de desejar que o mal vença toda a guerra, e que não sobre um pingo de vida sequer nos jardins da alma
Não precisamos relembrar o passado, não é mesmo?
... quando segundo a segundo ela cuidava de você durante as noites, através de seu espírito, que viajava milhões que quilômetros para que você não ficasse sozinho Dificuldades ela nunca encontrou, ultrapassou barreiras do céu e da terra para estar onde você queria estar, para deixá-lo são e salvo
Quando você precisou enxergar além da vida para conseguir caminhar através de quatro rodas
Quando você precisou segurar sua respiração nas estradas da vida
Quando suas forças já estavam esgotadas, ela estava lá, pra compreender sua desistência.
E hoje, o que nos resta?
Nada, nada, pois ela nunca o ajudou em nada
Nada que lhe fizesse sorrir por mais de 5 segundos
Nada mais lhe atormenta nas noites de lua cheia,
nem mesmo quando a tempestade molha sua alma negra de maldade
Amanhã talvez ela ainda esteja aqui, segurando algumas sementes de rosa azul, para semear em sua vida, mesmo depois de tudo
Ou talvez não...talvez seja tarde demais para um: “Bom Dia mamãe,como você está hoje?”
Talvez você possa fazer um arranjo de todas aquelas flores cultivadas em seu jardim que já estão secas, sem perfume e sem vida
Guarde-as como lembrança dos dias em que você foi amado como ser humano
Não, não culpe ninguém por suas escolhas covardes, por uma vida cheia de mentiras e tropeços.
Não diga que foi culpa minha ou de outro...ou outro
Não espere compaixão de todos aqueles que hoje estão sendo apedrejados por mãos cheias de sangue
Não diga adeus, pois adeus diz-se para aquele que se tem alguma consideração.
Apenas siga tua estrada, que talvez, ao findar vai dar em nada...
Siga esse caminho torto, cheio de curvas acentuadas para a esquerda, para o fim, para uma outra vida, para uma outra história
Siga feliz sabendo que o meu anjo chamado Mãe, nunca desejou mais que a sua felicidade, a felicidade cheia de paz que um dia, algumas pessoas jogaram pela janela pensando que ela nunca voaria.
Mas enganaram-se
Pois com o vento passageiro, ela se foi, sem volta, exatamente como agora
Ela está seguindo seu caminho já em outros caminhos
Sem que você possa vê-la, nem ao menos tocá-la
Porque ela se foi, como as pedras que voaram aceleradas pelo choque da rua com o pneu do seu carro.
E hoje, quando chover, vou me lembrar de tudo que se passou como se fosse a última vez...como se você não existisse mais.

sexta-feira, maio 10, 2013

vazio


As coisas vão bem? Sim, está tudo ótimo... Na vida, está tudo bem. E pela manhã, nessas manhãs de outono, em que o melhor mesmo é ficar escondido em casa para que o frio não perturbe ainda mais a alma inquieta pelos erros, olhar para o lado e descobrir quanto tantos foram cometidos. Chorar não vai adiantar, pois qualquer lágrima covarde insiste em mais uma vez esconder qualquer verdade que poderia haver. Nas saídas de todas as manhãs, nas palavras de ensinamento desenham exatamente tudo aquilo que não deveria ser. Voltar, buscar e mesmo assim permanecer no erro... Vale a vida, torta, impensada nessa espera de pelo menos conseguir algo que conforte os braços e aqueça o coração, sem essa de esperar pelo outro, mas sim se realizar dentro de si mesmo. Ainda assim, inevitavelmente nos machucamos o tempo todo em silêncio por não ter o que falar, digno de se estar em meio da ausência e a escuridão de dias turbulentos que ensurdecem os pensamentos nesse vazio sem sentido de estar... Simplesmente estar, contido em alguma dessas palavras que nada dizem d'outro lado, d'outro ser. E nessa manhã o sol aquece lá fora, trazendo a sensação de que as mãos continuarão geladas... Quem sabe num próximo sonho nos encontremos na vontade de ser um "tantinho" assim mais feliz. Talvez assim, de nada vale a vida.

terça-feira, abril 09, 2013

Guarde essas palavras...

Às vezes é necessário permitir-se. Permitir-se sair pela porta da frente e ver como o dia está lindo, em que o céu de azul intenso conta histórias que atrás dos olhos passam numa fração de segundos e que jamais serão esquecidas. Em meio a essas palavras de revolta e o descaso com a vida, ainda existe um motivo para viver e achar que em alguns dias o Sol mudará o sentido do vento para aliviar esse caminho ainda não percorrido. Inicia-se assim, a vontade de contar às pessoas, ou pelo menos algumas delas, que a vida vai bem além disso que se diz felicidade. Não é somente estar ao lado das pessoas que você pensa gostarem de você, beber a noite toda esperando que pela manhã algo de novo surja nessa imensa solidão que são as horas só. Tão somente que nem o silêncio da inquietude da alma faz você parecer sereno, na serenidade de uma manhã de outono. As folhas levam embora alguns sentimentos desconcertantes e ao final da tarde cantando os pneus me despedi de você. Ou ainda pela manhã ali, na frente de casa ouvi o mesmo barulho de ontem, talvez algumas milhas a mais, e o rastro que se deixa indique a veracidade que as pessoas teimam em tentar viver. Antes que a chuva se apresente, quem sabe as pessoas saibam que hoje o dia está lindo e que vale vivê-lo, escondendo-se nessas mentiras/verdades de uma vida noturna em meio aos ratos das ruas e os gatos que teimam caçá-los. Nas palavras de minha Mãe Iza, eu vi a despedida em marcas de suas rodas em pedras que não saíram do lugar... eu vi sua despedida em pedras que moveram-se, machucaram alguém... Quem sabe num futuro próximo você descubra quem foi. E nesse dia lindo, vivemos... Vivamos... Aplaudimos, a vida que passa depressa e mostra que o tempo não espera, apenas destrói qualquer sonho inacabado daquilo que não se pode ter.