segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Retorno


Estava lembrando de quando começamos a planejar nossa casa. Tudo decidimos juntos. A cor das paredes, os móveis, o espelho do banheiro, a disposição dos móveis na sala, a cozinha... O brilho do piso, as lâmpadas... lembro de como você falava que elas não tinham que ser grandes, mas deviam iluminar bem. A cor das portas, ficamos discutindo uma semana...E o acabamento então? Você não queria nada que eu sugeria ( você tinha razão).As melhores escolhas, com certeza, ficaram para o nosso quarto.
Planejamos cada detalhe, nossa cama, o tipo de luz, tudo... Sinto saudade da certeza com que me falava:
"- As cortinas têm que ser vermelhas".
Você mesma escolheu o tecido, não muito liso e nem muito exagerado, me fez tirar e recolocar os trilhos até ficarem a seu gosto, queria que ficasse de uma maneira que passasse luz por entre elas, mas que não nos incomodasse pela manhã. Cortinas vermelhas, móveis claros, lençóis sedentos mesclados de amor, paz e alegria. Momentos...
Estou aqui sentado na nossa poltrona, onde você me beijava com carinho e avisava que ia para o banho enquanto eu assistia ao noticiário... Está tudo aqui meu amor! No mesmo lugar, da maneira que você queria...Só uma coisa sobrou...
Esse vazio imenso que você deixou.
Dói! Tanta felicidade...
Por onde andas meu amor?

Amo você!



Eternamente uma fantasia de mim!

Falar de você




Rafael

Falaram-me de um menino-capeta, ele aprontava todas... chamavam-no por um apelido estranho. Deram-me várias informações (contaram, cochicharam coisas...) e eu nunca quis falar com ele.

Um dia, porém, apareceu em minha vida:

Todo sério, reticente, totalmente estranho ao que haviam me dito... Apresentou-se pelo apelido, mas eu preferia seu nome... Agora todos os dias temos nos encontrado... Acho que somos mesmo... “Amigos”.

É estranho, eu vejo seu rosto, mas não sinto seu perfume...
Eu ouço suas palavras, mas não sei o que elas querem dizer...
Não conheço aquele de quem me falaram, mas também este se esconde de mim...
Quem é você?
Quais serão seus sonhos?
Que caminhos trilhou?
Qual será seu segredo?
A que veio na minha vida?
Será que são apenas palavras?
Delírios?
Criação?
Imaginação minha?
Não sei...
Só sei que...
É você!

domingo, fevereiro 26, 2006

Espectros de Solidão


Vivo cada instante que perdi...
Em meus olhos, lágrimas...
Angústia em meu coração...
Perco talvez
as esperanças?
Sei que não sou... mais a mesma
Dentro de mim... labirintos de trêmulo desespero
Pétalas de vida caem aos meus pés...
Musicas tocam a melodia do esquecimento...
Letras prescrevem meu destino...
“São Anjos que chegam?”
Olho ao redor
Paredes têm olhos
Espelhos refletem vultos de minhas lembranças
Nada mais faz sentido...
Apenas insanes instantes de lucidez.
Onde estou?
Porque faz tanto sentido...


Eternamente uma fantasia de mim!

sábado, fevereiro 25, 2006

A Seta e o Alvo

Eu falo de amor à vida,
Você de medo da morte.
Eu falo da força do acaso
E você de azar ou sorte.
Eu ando num labirinto
E você numa estrada em linha reta.
Te chamo pra festa,
Mas você só quer atingir sua meta.
Sua meta é a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.
Eu olho pro infinito
E você de óculos escuros.
Eu digo: "Te amo!"
E você só acredita quando eu juro.
Eu lanço minha alma no espaço,
Você pisa os pés na terra.
Eu experimento o futuro
E você só lamenta não ser o que era.
E o que era?
Era a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.
Eu grito por liberdade,
Você deixa a porta se fechar.
Eu quero saber a verdade
E você se perocupa em não se machucar.
Eu corro todos os riscos,
Você diz que não tem mais vontade.
Eu me ofereço inteiro
E você se satisfaz com metade.
É a meta de uma seta no alvo,
Mas o alvo, na certa não te espera!
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?
Sempre a meta de uma seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?
Paulinho Moska