terça-feira, outubro 09, 2007

Outra história

Às vezes penso que ando imaginando coisas. Talvez eu tenha lido muitas histórias infantis... O caso é que tenho visto princesas beijando sapos e os sapos se justificando comigo, loucura pura. Talvez seja porque me dê bem com os animais ou eles me considerem “uma amiga”. Eu explico melhor. Foi esses dias, andando pela rua ouvi um “psiu”, continuei andando, mas o barulho persistiu, não pude ignorar. Logo veio o bichinho verde, choroso, carente me contar seus infortúnios. Fiquei ouvindo por um tempo até me pronunciar, falei para ele da vida, do que é o amor, de como são as pessoas, mesmo assim o garoto insistia em anunciar sua devoção pela princesa que o beijara. Cansada de atender ao seu chamado comecei a inverter o jogo. Tentei mostrar-lhe que o amor da princesa era conto que não encantava mais, disse que ele, para ela, continuaria na condição de ser rastejante, mesmo depois do beijo encantado a moça o via como sapo, foi inútil. Meu amigo continuava a lamentar o amor que não acontecera, continuava a ferir-se com algo que não poderia ser. Numa última tentativa me dispus a caminhar com ele mostrando o encanto dos lagos, a beleza das flores, o cantar dos pássaros, a magia da amizade, a alegria das crianças, o encanto das brisas de primavera, o que significava viver como homem mesmo sendo sapo. Não adiantou. Cansada desisti! Na ânsia de alcançar o mais profundo da sua alma corri por entre as flores, só não percebi que elas me feriam com seu espinho, suspensa pelo sangue que brotava do seu medo, fiquei em silêncio vendo você se perder na tempestade!