quarta-feira, outubro 27, 2010

why?


as noites de primavera tem sido tão agradáveis
nós sentamos um na frente do outro e conversamos horas sem parar
o tempo está bom
logo o vento frio nos desperta o sono
felizes, então caminhamos para o descanso
inquietos na cama, lembranças de quando eramos criança
retratos vazios
recortes de quem amamos
a solidão e a vontade de sair correndo
brincar de pique esconde
cegar os sentidos
cair, se machucar, recomeçar...
era tudo tão mais fácil...
a mãe dizia: 'calma meu amor, logo passa'
passava mesmo, quantas vezes mais nos machucamos?
sinto que de algum tempo para cá o peito ainda dói
mesmo a mãe dizendo que um dia a dor passa
ainda resta o amor do início da frase
que ultrapassa a alma
fala alto, discute
e acaba se atirando da montanha mais alta
causando um acidente na rodovia em plena noite de tempestade
esperando que alguém encontre no meio do caminho o coração que parou longe com o impacto da batida
e se neste caminho você encontrá-lo
espero que guarde com carinho, congelando a dor que ele sentia...

Porque não passa?

segunda-feira, outubro 18, 2010

saudade



Foi assim:

Passou tanto tempo tentando encontrá-la...

Descobriu que tudo que precisava era sentir que a vida poderia seguir novos caminhos

Procurou descobrir um outro mundo

novas palavras, novos sentimentos...

tentou esconder-se

desaparecer assim...sem que nem ele mesmo pudesse se encontrar

e a qualquer hora poder sorrir sem que essa dor escorresse por seus olhos...

percorreu tantos quilômetros tentando se esconder

quase enlouquecido por esse sentimento

fechou todas as portas, e prometeu a si mesmo que deixaria tudo para traz

deixou de tentar encontrá-la em seus sonhos, em seus pensamentos

que não mais a veria quando os ventos insistentemente trouxessem seu perfume

E nessa manhã, quando abriu seus olhos, sua alma doía tanto, que seu corpo desfaleceu silenciosamente em lágrimas e solidão...

E sobre o chão gélido uma lembrança a escorrer pelas veias

Ainda não sabe o que fará

Só sabe, que estas lembranças nunca vão poder ir embora

A distância não conseguiu apagá-las de sua vida,

Os dias são sempre os mesmos, não importa para onde vá

Não importa com quem está...

Seus braços esperam minuto a minuto poder sentir seu perfume

quinta-feira, outubro 14, 2010

Memory

o que são as perguntas sem respostas?
apenas perguntas sem respostas.
simples assim...
pergunta difícil sem resposta, torna-se dor que vai corroendo os pensamentos até chegar aos inervados.
um dia chuvoso, voltando para casa, fila de banco...
e as perguntas que não se tem uma resposta.
criança colorida sinalizando as ruas da cidade.
aprender uma nova língua.
jurar não maldizer o coração que bate os tambores da montagem de palco..
um olho desconfiando do outro que tão mais rápido que este, tenta se fechar.
deitado no banco de trás do carro procurando na semana a presença que faltaria para as perguntas-respostas.
uma noite no hospital, um peito aberto e as mãos machucadas sangrando a resposta da vida doente.
a única, imutável, inacessível.
todas as reflexões possíveis...
e na contracorrente as turbulências do romper de memórias.
tenho como se fosse ontem e tanto tempo passou.
acabe, acabe eu repito todos os dias.
acabe ano maldito que tanto atormenta os sentidos da terra.
volte e responda, quais são as perguntas certas a serem feitas?
quando na verdade, há muito se tem resposta.

" - Olá minha querida, hoje o dia passou triste numa memória irrevogável de suas palavras. O que tenho são histórias permitidas ao esquecimento. Mande flores, pois elas celebram as mortes, as vidas. As conquistas, as perdas. Sua existência de viver e deixar-se esquecer."

sábado, outubro 02, 2010

início

sufocando o que de mais precioso existia em nós

num dia de sol explendido
sorrimos, fugimos do que nos incomoda
ouvimos o vento que longe vai
e quando anoitecer
como num abismo, você se arrisca escondendo sua verdade em mentiras
as nuvens revoltas no céu de seus desejos
nos perdemos
e na linha do tempo
desafiamos o jogo de olhos fechados
nos tornamos estrelas e quando o céu está nublado
choramos nossos fracassos
lembramos, vivemos um pelo outro
a primavera chegou
resta-nos mover as flores murchas que caem à nossa frente
junto às folhas
o desafio é acertar a lata de lixo sem que ela roube o nosso sentimento mais puro
esperando um sorriso
e essa dor que só os embriagados tem coragem de falar
o rosto envergonha, mais uma vez, as poucas palavras que poderiam ser ditas...
esqueça, apenas esqueça...