domingo, junho 26, 2011

teardrops

hoje estive fazendo uma limpeza na alma
foi assim que tão depressa decidi que as coisas velhas pertenceriam ao lixo
e como esquecer que na alma não existem lixeiras, apenas separação de reciclagem
hoje não gosto de lembrar disto, mas amanhã quem sabe
as cortinas balançam com o movimento do vento
e a música suave embalando os olhos que tentam abandonar o velho
a página vazia
estar sozinho, e logo perceber que o presente torna-se depressa demais passado
e que se ontem não existiu, histórias de anos também não foram contadas
arrependimentos
e ausência da saudade
o que não posso desvencilhar da alma
guardo aqui, em páginas negras em letras vermelhas
que no próximo ano se tornarão amarelas
o dia tão desbotado pedindo ajuda à tardezinha que se aproxima em tons de cinza
fracos tão fortes que atrapalham a estrada de volta
sem leveza alguma
desprende
tenta flutuar
nas lacunas da vida sem sentido
e se algum dia ela faltar
lembre-se de não guardar tantos anos as palavras suspensas no ar
lembre-se que a cada passo dado houve alguma coisa deixada para trás
esquecer do que é essencial para sobrevivência e lembrar o inútil sentimento que muitos não sabem o que sentem...
esse foi meu maior erro
deixar que o tempo passasse, sem ao menos lembrar de cultivar flores...
as árvores...
secaram todas, ao serem regadas todos os dias com as lágrimas de arrependimento...
sem volta.
sem volta...


quinta-feira, junho 09, 2011

o tempo congela a alma...


só o tempo para provar o quanto a vida não faz sentido algum
só o tempo para apagar as coisas da alma e mostrar aos olhos que não tem nada melhor do que a saudade
as lembraças...
um dia frio como se passou hoje
e a chuva turva nos olhos tentando mudar a direção do vento
o amargo que adoça suavemente a boca
as mãos congeladas
mostrando ao coração acelerado que espera alguém lembrar de pensar no esquecimento
foi só o tempo que passou depressa demais
montamos errado o relógio que quebrou
eu odeio certos sentimentos
eu odeio acordar e pensar nas coisas que se passaram esta noite
eu odeio a insônia e a vontade de contar as lágrimas a cada ir e vir
presenças...
vício que mata aos poucos e mostra o quanto o tempo maltrata...
inevitavelmente escrevo e nunca obtive resposta alguma
quem sabe nos próximos dias
a coragem seja maior que o medo de ouvir
ficar surda com a resposta inesperada
a distância corteja a morte aos poucos
mostrando que o tempo
apenas apaga a vida
que não conversa e nem conta histórias
vive um pesadelo sem fim
vive de passado e de contos alheios
nada que se tenha propriedada
probidade
nada empírico o suficiente
para viver a própria vida
quem sabe se nesta noite as gotas contadas corretamente
me envolvam num sono eterno
espero que não seja tarde demais...