quinta-feira, dezembro 16, 2010

Nada mais importa

Você não vai me contar?
Respondeu ela que não...
Virei as costas e saí caminhando apressado para que os pingos de chuva eternizassem cada passo que eu dava
Ouvi chamarem duas ou três vezes mais meu nome
Não retornei meus olhos e minha cabeça baixa contando as pedrinhas no asfalto
Como se aquelas palavras fossem trazer de volta todo conforto e carinho que precisava ter
Estou perdido, cego de qualquer caminho para voltar
Revoltado, fecho os olhos e sigo caminhando
Se eu a amo tanto, que mais devo esperar dela?
Mentiras, traição, fracasso de cada expressão que ouço?
Se eu viver assim por toda vida, o que é vida então?
Na rodovia de meu ir e vir, a ponte que protege meus pés...
Rompe numa fração de segundos...
Eu queria contra o tempo correr e poder ver meus dias, os dias do próximo ano...
Se ela não me contar, me receberá de pés juntos gelando o tempo que não pára de chover...
Procurando uma estrela cadente para realizar meus desejos o que vejo são relâmpagos que apagam meus pensamentos...
Coragem foi o que faltou...
N'outro dia...
Busco os meus passos, tantos dias de sol e chuva...
Triste mesmo é lembrar que não voltarei mais aqui
Eu choro e logo vem os pingos de chuva se juntarem ao meu rosto...
Me dê uma resposta só... uma só...
Por que ela foi embora?
Por quê?
Vamos criança, é seu aniversário, noite de Natal, a festa surpresa e o presente está por vir...
Deixa eu dormir mãe, estou tão cansado...
Pela manhã... acordes de violão
Os olhos tremem, rapidamente me despeço...
Última vez, você não vai me contar?