Elas ferem minha alma.
Elas são objetos cortantes que sem eu perceber me atacam de uma forma que...
Eu odeio as palavras!
Elas contam histórias e fazem fofocas.
Elas são disfarçadas de ódio.
Elas mentem, se entregam.
Eu odeio as palavras!
Elas voltam ao passado.
Elas me deixam feliz.
E quando menos espero, chegam de mansinho e ofendem o coração.
Sabe, esses dias eu saí. Fui ao cinema. Ele, o filme, não era tão bom. Foi a impressão (a primeira) que tive, ele dizia coisas. Pensei que o silêncio iria ferir mais que as palavras. Engano meu! As palavras vieram de tal maneira que hoje estou tentando não pensar nelas.
Elas, as palavras, tem peso.
Sentido, sentimento...
As palavras são traiçoeiras.
Elas fazem meu cérebro não pensar.
Elas são maquiavélicas.
Irônicas.
Sarcásticas.
Eu brinco com as palavras para ver até onde elas são capazes de me fazer mal.
Eu choro palavras.
Delas brotam água imunda de podres pensamentos, o mundo.
Eu realmente odeio as palavras.
Eu não entendo as palavras.
Elas me contradizem.
Eu me refiro as palavras.
Àquelas que não sabem calar quando é necessário e gritam ao mundo sua distância.
As palavras têm olhos.
Elas falam.
Conseguem esconder o amor.
Eu espero por palavras.
Mesmo sofrendo, elas são um vício.
E quando bate a abstinência, eu recorro as palavras...
Eu odeio as palavras por elas serem malvadas.
Eu escrevos com palavras o céu num vermelho estranho, desbotado.
É inverno.
Nesse tempo eu mais odeio as palavras.


