sexta-feira, junho 25, 2010

fuga

foi tão difícil esta noite que passou...
meu coração estava tão doente, dolorido
meus olhos não se fecharam
choraram a sua ausência
foi uma dor que percorreu meus pensamentos
e minha boca murmurava
pedindo ajuda, implorando para que voltasse
ninguém sentiu pena do meu sofrimento
o pouco que eu tinha de você foi devolvido nas coisas que você me presenteou
e agora o que faço?
estou sentada no chão, canto escuro do quarto
não sinto fome
não sinto vontade de viver
você não ligou e não pude falar
apenas devolveram os sentimentos, que existiam, de mais belos dentro de mim
restou-me o sofrimento, desespero de tê-lo novamente
sinto vontade de gritar
sinto que o dia está se aproximando
sinto o frio do alvorecer
lembro de seu rosto, seu cabelo, sua pele quando tocou a minha
lembro do seu beijo, dos meus lábios trêmulos ao tocarem os seus
lembro do seu cheiro
não me deixe, é tudo que peço...
agora com o sol alto no céu
só vou esperar o anoitecer novamente
até que eu não tenha vida para lhe contar
até que meu amor morra
junto aos resquícios que sobraram de mim
conta-gotas, sangue preso aos seus pés
sobras...
hoje, mais uma vez morro dentro de mim
espero que saiba...
o quanto amo você.
abandonada, sigo trilhando essa vida que não é minha.
sem sentido, mais um começo
que se perdeu entre céus de nuvens pesadas...
entre águas que levam as coisas bonitas da terra...
entre seus olhos, castanhos olhos provocantes...
minha vida é uma eterna procura sua...
não me deixe...
encolhida neste canto, espero que não me encontrem...

quarta-feira, junho 23, 2010

bilhete

o que faltou?
foram algumas gotas de perfume...
aquelas que ternamente lembrariam você
aquelas que numa brisa suave alcançassem o mais profundo dos olhos
uma gota suspensa em meus olhos
um dia esteve com você
n'outro está aqui comigo
no ano que está por vir volta a você
presente do passado para o futuro
amortece meus sonhos
esconde meus desejos
essência que não passa
sinta a desilusão
uma paixão de fim de tarde
o que você vai fazer agora?
esperar a noite e fechar os olhos até amanhecer...
veja o sol por mim.
o primeiro de inverno...

sábado, junho 19, 2010

vazio


Estive tão feliz nesses últimos dias na sua ausência.
Lindos dias de belos sorrisos, sem preocupação.
Nada mais tenho que lembrasse você.
As horas passaram tão rapidamente e o mês está chegando ao fim.
Hoje acordei com o vento levemente tocando meu rosto e o sol clareando o quarto, que sempre estava escuro.
Estou tão feliz, eu caminho por entre as árvores tão constantes que nunca mudam de lugar.
Foram dias destinados a mim.
E as noites, então.
Eu dormi tão em paz...
Fostes embora.
E eu aqui fiquei...
Contando os passos que distanciam cada vez mais nossa presença.
Um aceno.
A boca murmúrio do tempo que não pára.
Os olhos brilhantes encontrando novos horizontes e possibilidades.
Libertei-me mais uma vez.
O telefone a tocar...
Deixe, tenho uma vida toda para atendê-lo...




sábado, junho 12, 2010

torpedo

Nesta noite de céu nublado.
Nenhum segredo para contar e a escuridão que não perdoa.
As palavras aproximam por pouco tempo, depois só a lembrança que resta.
Como se fosse uma criança recebendo um brinquedo novo, que quando é roubado chora uma perda inocente.
Pedindo um abraço, com medo dos fantasmas, logo esquece e desculpa ter sido furtado.
Perdão, eu só queria seu amor.

quinta-feira, junho 10, 2010

devolução


desde que nascemos passam tantos anos que nem chegamos a contar ao certo os dias.
no dia de nosso aniversário sempre recebemos presentes, nos sentimos felizes pelos laços e papel colorido.
ficamos esperando que alguém se lembre, que no mínimo chegue uma palavra de felicitações.
contar as alegrias, um dia longe de qualquer tristeza.
um dia a nós.
me senti feliz ontem.
cheguei do trabalho lá estava meu presente.
um embrulho colorido, balões de festa, parabéns...
corri para abrir, li o cartão que estava junto a ele.
uma criança inocente tão feliz que não cabia num sorriso.
uma terceira visão e o desconforto da história gravada num dvd...
balas para adoçar a vida e os olhos rasos d'água.
o sol agora não aquece mais os cabelos castanhos e uma altura do chão.
estou feliz, repetia ele...
chegou a noitinha  ferindo seus sentimentos.
um aniversário diferente de outros.
era ontem.
a impressão não passa.
quem sabe no próximo ano
"o seu aniversário não se comemore no escuro..."
fogos de artíficio, espero que não perca o espetáculo.

quinta-feira, junho 03, 2010

sorry



cada vez que olho em seus olhos percebo o quanto de dor está dentro de você.
uma dor que lentamente percorre seu rosto e o coração apertado sofre com os fatos da vida real.
olho suas mãos, trêmulas buscando se juntar para que não percebam seu nervosismo.
os seus pensamentos que longe vão e nós que aqui ficamos.
você tão distante dela, e ela num silêncio que sangra lentamente
inevitavelmente as lágrimas surgem...
num desespero, numa busca por uma desculpa aceitável
a distância vai se tornando cada vez mais insuportável...
num canto escuro, ao lado da janela...
o sol lá fora, aquecendo as pessoas em frente as suas casas...
você aqui dentro e uma atitude impensada
uma ferida que dói, perde os sentidos
maltrata tanto que os lábios nada falam
mais alguns minutos
nenhum telefonema, nenhum e-mail
te vejo sentado e ao seu lado o amor que foi roubado
e agora voltando em passos lentos
a rua tão movimentada
e o som alto para esconder dos ouvidos os gemidos
triste, tão triste vê-lo assim
perdoe-me meu amor
não queria te ver assim
a espera que nunca chega
o relógio tão frio
e os olhos abertos para não perder o movimento das nuvens
corro em sua direção
logo vem o desespero
perdoe-me meu amor
não queria te ver assim
mais um amor que se perde na multidão
em meio ao perfume da esperança
e a desconfiança do sentimento
contudo
ainda é amor