Há quem diga a ela que tudo
isso não passa de uma loucura. Mal sabem eles que, o que esperava por toda a
sua vida era uma chance para tornar todos aqueles sonhos em realidade. Numa tarde
qualquer, ela esperou a chuva chegar e junto a ela, uma liberdade traduzida em
sorriso que iluminava o arco-íris que pairava sob o céu azul. E, sem pressa
caminhou por entre as nuvens de algodão que tocavam sua alma...sentindo assim
que não precisava mais esconder-se do mundo. Já cansada, deitou-se sobre a
grama ainda molhada e esperou a noite chegar, suavemente as estrelas abrilhantavam
ainda mais seu olhar, e a lua, (re)coloriu todo um universo...somente para
ela...
...da janela da varanda, ele
olhava a chuva que ainda caia do céu azul e junto a ela, as lembranças de um
amor que um dia tornava seu mundo real...uma dor pungente n’alma. Ele espera que ainda possam encontrar-se...as lembranças continuam vivas em seus
pensamentos, no jardim de rosas vermelhas que ainda cultiva para ela...isto faz
com que possa senti-la em cada pétala vermelha que nasce, em cada rosa que se
abre, em cada sonho que ainda vive em seus olhos melancólicos...ela vive na
chuva que caiu no final da tarde de ontem, na grama molhada do quintal, no arco-íris
daquele céu azul, nas estrelas que estão gravadas em seu olhar...ele sabe que
ela estará sempre ali. Os ponteiros do relógio acusam o adiantado das horas, e
num suspiro desesperado para que os deuses possam traze-la de volta, ele tece
uma prece...seu corpo desfalecido em esperança sobre os lençóis brancos de
cetim, encolhe-se, tentando ignorar toda aquela dor que está sentindo, seus
braços se cruzam guardando um último abraço... seus olhos já cansados fecham-se
lentamente...e então, sem que ele perceba ela vem como um sonho bom...
“Dorme.
...uma história de fada.
Dorme.
(...)
Minha criança
sentimental,
amanhã...
Dorme.
...eu te beijarei com o
sol
Dorme.
Nanam...”