domingo, agosto 31, 2008

Fim dos tempos!


São sóis noturnos. Mudaram os tempos. Entre os eternos momentos de insônia e o não poder acordar, intervalos breves da estranha dor que percorre meu rosto e cega meus olhos. São noites infindáveis. Estive ausente de mim e hoje percebo o quanto isso me fez mal. Eu não passeio mais por aqui, eu estive voltando, mas o caminho deu voltas e nelas não pude pisar. Mais que cores vibrantes, muito mais que sons ensurdecedores eu acordei da vida para um mundo que não pertence a mim. Eu o comprei, foram três anos cultivando cada personagem dessa ficção. Alguns dos atores se cansaram e se retiraram antes mesmo que as cortinas vermelhas se fechassem. Não houve nenhum aplauso, apenas risos escondidos anunciando a fracasso do espetáculo. Vê? Ele encerrou e ninguém percebeu que a piada contada ali não era mera coincidência. Triste daquele que viaja sob as sombras, quando na realidade a luz está guardada em seu bolso esperando ser revelada na face decomposta de inverdades malditas...

segunda-feira, agosto 18, 2008

19 de agosto?

Assim é a vida. Eu costumava me perguntar todos os dias o que é viver a vida. Mas nunca encontrei nenhuma resposta aceitável. Entre beber até ficar sem sentido e ficar totalmente consciente e assumir a culpa, o que é viver a vida? Alguns me respondem que tem a receita certa de como é ser feliz e aproveitar cada segundo dela. Porém, sempre misturei todos os ingredientes e nunca deu certo. Quando a mistura foi levada ao forno, queimaram todas as minhas expectativas de dias melhores. Amanhã. Ah, amanhã é o oposto da minha pequena existência. Sem sorriso no rosto. E sem nenhuma emoção. Os questionamentos de criança ainda estão por aqui. Pra onde foi a menina mulher que ali logo a frente cultivava todos os tipos de flores? Não sei. Mas gosto quando minha mãe diz: Tem certeza que você lembra que tem 18 anos? Eu lhe respondo com um sorriso entre lábios. E ela, me abraça. Esse momento se eterniza. Gosto quando ela arruma sempre uma canção e canta com sua voz encantadora. Por fim, no entardecer, talvez, eu esteja feliz.

"É por nada que eu te quero
É por tudo que me dás
Quero o teu amor sincero
Quero sempre te adorar
Eu quero teu amor minha querida
Eu quero sempre, sempre te adorar
Não penses que são só palavras lindas
Que se dizem sem pensar
Te quero tanto que por toda a vida..."

obrigada, Mãe!


segunda-feira, agosto 11, 2008

Estupor


O que é movimentar-se para você?
Para mim é mover-se, dirigir-se a alguma coisa com uma intenção definida. É mostrar-se capaz de promover por si só, algo que lhe seja útil para o bem ou para o mal.
E se você concordar com mais algumas palavras, poderá perceber que esse mover-se para o bem ou para o mal é animador na medida em que remove as coisas do lugar em que estão e as faz agir, nem que seja por um minuto, ainda que seja um minuto de fúria.
Foi mais ou menos assim que aconteceu hoje. Decidi aspirar um canto empoeirado do silêncio que o cercava e ouvi coisas...
Todas as suas mágoas, seus receios, sua fragilidade... Gritando!
Um único movimento e eu nem precisei fazer nada. Você se entregou por si mesmo. Foi enxotando toda admiração existente. De verdade em verdade foi se apagando na angústia de ver você como realmente é...
Estranhei perceber você sob uma égide negra refutando qualquer tentativa de tê-lo como homem. Tão rápido foi seu movimento animal.
E embora alguém tentasse me falar de instinto de sobrevivência, logo me vinha a espada que você, ao perceber minha presença entre seus infortúnios, cravou no meu peito protegendo seu rosto enquanto meu sangue jorrava...
Por um minuto você pensou em esconder aquele vermelho amargo, mas preferiu guardar para si como presente...
Uma brincadeira de egos onde quem olhasse pela fechadura sairia com o olho furado.
Um movimento monstruosamente capaz de matar só pelo prazer de perpetuar-se na sua farsa.
Curvando-se entre o patético e o cômico, querendo apagar aos gritos o tilintar das suas incertezas...
Um homem. Um conto.
Quem sabe amanhã, no próximo capítulo, não contem o conto de um homem de verdade.
Feche a porta que eu tenho medo do vento, há uma tempestade movendo-se lá fora.

quarta-feira, agosto 06, 2008

agosto? aos sete dias...


embevecidas de nossas vontades-verdades
ora eu, ora você
disputas, desafios
nenhuma medalha
apenas sombras das coisas que fizemos