sexta-feira, dezembro 31, 2010

algumas horas mais...

estivémos descalços estes últimos dias
foram dias de paz
onde o vento soprava leve e nada assombrava nossa alma
com a impressão de ter enterrado nosso passado
sofremos pensando num futuro incerto
e quanto tudo isso acabar, o que será de nós?
nenhum filho, nenhuma família e as explosões de adeus para o ano que passou.
uma mistura de alegria e saudade é o que nos contagia...
somos assim, seres humanos...
saímos nas ruas nenhum debate
não precisamos sitiar.
não precisamos ter medo.
o que nos resta são os pensamentos,
que muitas vezes são torpes.
inventando uma vida.
as janelas estão abertas 
 a brisa da noite que passa está tão fria
adeus amigos passageiros, adeus encontros das 15h da tarde
adeus 2010, logo se esvai tarde
 tarde para presenciar o novo ano que chega
espero que ele tenha feito escolhas certas
aquelas que depois da tempestade encontra o sol surgindo em negro vermelho
vermelho sangue, aquele do próximo ano
aquele das cortinas, das toalhas
dos laços de presente, das flores que morrem
morrem para uma nova vida
sangue vinho para brincar com os sentidos
e esperar pelas mudanças...
eu sempre espero.
do lado esquerdo da alma...

terça-feira, dezembro 28, 2010

últimas noites de 2010

quantas chances perdemos de dizer perdão?
e as promessas que fizemos para este 2010 que passou?
quantos sorrisos disperdiçamos por aí?
longe vão...
nas sobras de alguns dias amaldiçoamos, desgraçamos o próximo...
sem lembrar que este ano teria um Natal e um fim de ano...
as noites então, acordamos assustado ou nem dormimos...
quantas vezes choramos e sofremos por amor?
ciúmes de ver nosso amor tão explendido, andando, conversando com os outros e deixando nós de lado...
quantas vezes abandonamos tudo, viajamos para buscar sol ou a praia num dia chuvoso?
as discussões e cobranças sem fim...
as brincadeiras de coração aberto...
uma amizade que se perdeu no caminho...
uma cidade maravilhosa e um ano que nada se acrescentou...
fomos professores, alunos, autodidatas, fomos ignorantes...
crianças buscando o presente mais bonito e desejado, buscando o colo da mãe para chorar sem medo de ser julgado.
o que foi que restou?
nesta noite, luzes e fogos coloridos causando tremenda explosão...
dos nossos sentidos...
combinando olhos e horizonte...
mãos frias, trêmulas para abrir os presentes...
sentir as lágrimas escorrerem, e o convite que faltava...
qual foi o seu presente?
a vida...
o meu foi a ausência, a solidão...
o meu foi o retorno de um amigo...
o meu foi um abraço de mãe...
o meu foi a espera...
o meu foi estar no hospital...
o meu foi ouvir sua voz...
e o seu qual foi?
o meu... foi...
quais ondas são para o ano novo?
as mais altas, aquelas que tazem as pétalas brancas e vermelhas e elevam nossas vidas...
os fogos quais são?
aqueles que causam espetáculo aos olhos...
quais são os desejos?
que a vida aconteça, que nossa vida aconteça...
e neste 2011 não levo as mágoas...
apenas a esperança de poder viver, conviver mais uma vez...
você volta para mim?
dia 25 passou e restou um presente a ser aberto...
e você, volta para mim?
na noite de ano novo espero dormir e aguardar que 2011 traga a luz que neste ano faltou...
um abraço e o desejo de ser muito feliz...
principiando as chuvas, 2011 faz suas próprias promessas...

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Nada mais importa

Você não vai me contar?
Respondeu ela que não...
Virei as costas e saí caminhando apressado para que os pingos de chuva eternizassem cada passo que eu dava
Ouvi chamarem duas ou três vezes mais meu nome
Não retornei meus olhos e minha cabeça baixa contando as pedrinhas no asfalto
Como se aquelas palavras fossem trazer de volta todo conforto e carinho que precisava ter
Estou perdido, cego de qualquer caminho para voltar
Revoltado, fecho os olhos e sigo caminhando
Se eu a amo tanto, que mais devo esperar dela?
Mentiras, traição, fracasso de cada expressão que ouço?
Se eu viver assim por toda vida, o que é vida então?
Na rodovia de meu ir e vir, a ponte que protege meus pés...
Rompe numa fração de segundos...
Eu queria contra o tempo correr e poder ver meus dias, os dias do próximo ano...
Se ela não me contar, me receberá de pés juntos gelando o tempo que não pára de chover...
Procurando uma estrela cadente para realizar meus desejos o que vejo são relâmpagos que apagam meus pensamentos...
Coragem foi o que faltou...
N'outro dia...
Busco os meus passos, tantos dias de sol e chuva...
Triste mesmo é lembrar que não voltarei mais aqui
Eu choro e logo vem os pingos de chuva se juntarem ao meu rosto...
Me dê uma resposta só... uma só...
Por que ela foi embora?
Por quê?
Vamos criança, é seu aniversário, noite de Natal, a festa surpresa e o presente está por vir...
Deixa eu dormir mãe, estou tão cansado...
Pela manhã... acordes de violão
Os olhos tremem, rapidamente me despeço...
Última vez, você não vai me contar?

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Presente de Natal



Querido Papai Noel,

 queria que neste fim de ano o Sr. fizesse a gentileza de levar todas as minhas tristes lembranças para os céus.
Quero que me traga dias melhores, e leve todas as minhas dores para campos desertos.
Quero esquecer que este ano nada se acrescentou à minha vida.
E que tudo chega ao fim cheirando a cinzas do passado que não teve graça alguma.  
Quero que o Sr. Velhinho, me traga pilhas de livros, livros para eu viver do amor dos outros, da ilusão da felicidade, do maltrato da vida.
Quero viver de histórias não tão fracassadas.
Quero gotículas de chuva, com gosto salgado lembrando as tantas lágrimas que foram vistas por aqui.
Me traga, se puder, muitas músicas e fins de tardes onde o vento sopra suave levando todo mal que houver.
Por favor, me presenteie com novos olhos e ouvidos, estou cansada da minha voz também...
A vida está doente e num dia só, sangrando ela vai embora, assim de modo a romper um aneurisma...