sexta-feira, setembro 23, 2011

dos olhos

Como anda a vida?
Com as pernas é lógico...
E vida lá tem pernas?
É mesmo, a vida não tem pernas e nem pés...
Se ela tivesse pernas e pés, morreria de tanto caminhar por estes caminhos sem graça, tão claros...
Às vezes o tempo muda e dá uma amarelada.
A vida fica o tempo todo deitada em meio à escuridão.
Às vezes se esquece de olhar através da janela para ver se o vizinho ainda vive.
Não sabe das notícias que se passam.
Perdeu-se num caminho tortuoso em seus pensamentos que está difícil o retorno.
Pensar, apenas isto ela faz.
Caminhar mesmo, não acontece...
Ela fica o tempo todo parada, dá uma preguiça de olhar...
Às vezes pede para colocá-la em uma cadeira de rodas motorizada para não ter muito trabalho de olhar para fora nos dias de chuva...
Ah, nesses dias sim, a vida queria ter pernas e sair correndo em meio à chuva que cai de um céu cinzento...
Dias em que nunca ninguém questionaria suas lágrimas, pois são confundíveis com os pingos que molham os telhados das casas.
Sem contar que ninguém a veria sair, pois nesses dias ninguém sai às ruas.
A vida anda tão debilitada, parece mesmo que vai morrer...
Talvez seja seu desejo.
A vida apaixonou-se e agora sofre.
O tempo foi embora levando todas as esperanças  de dias melhores que ela poderia ter...
A vida todas as noites fala baixinho em suas preces para que o tempo volte.
A vida passa as noites em claro para tentar encontrar uma solução para mostrar ao tempo que deixá-la só, apenas fez com que se abrisse uma enorme ferida incurável em seu peito...
Talvez, seja o momento de revivê-la.
Marcaremos um encontro com o tempo, se ele deixá-la esperando... em silêncio a levaremos de volta para o quarto...
Descobriremos com o tempo se a vida tem solução ou não.
Caso contrário...
Triste mesmo será saber que a vida acabará indo embora sem sequer despedir-se do tempo...
que não volta...

sábado, setembro 10, 2011

O Sol hoje não apareceu...



O Sol hoje não apareceu...
Na escuridão de todas as madrugadas a dor levou-o embora junto com todas as alegrias que poderiam existir.
A tristeza vem numa leve brisa...
Como se fosse os dias em que o Sol estava por aqui.
Seu sofrimento era tanto, que não tive coragem de olhar nos seus olhos para dizer um Adeus.
Foi um pesar as lágrimas que escorriam dos meus olhos.
Pela manhã eu o espero como todos os dias, à porta de meu quarto aguardando um carinho.
Ao pé da cama, aguardando avistar algum movimento, pequeno que fosse, para que ele pudesse subir e fazer um rápido miado.
Não sei, às vezes parece que tenho que levantar às pressas para tentar amenizar um pouco de suas dores.
E quando ele, corria para que eu me escondesse e num súbito susto me achava e então fazia como se estivesse sorrindo.
As noites em que suplicava para sair, avistar a noite e eu com medo não deixava para que não o levassem embora.
Cuidamos tanto de seus ferimentos que nunca cicatrizaram, por um mês acreditei que o Sol voltaria aparecer e dormir na cama escondido para não perder o costume.
O Sol hoje não apareceu, com suas patas amarelas e o pêlo bem macio, se agradava um pouco em cada um e vagarosamente subia em minhas pernas para receber o carinho verdadeiro que tanto esperava.
E nas madrugadas, ele não conversa mais com a Mãe, pedindo para sair ver como iria se iniciar o dia, às 4 da madrugada.
Foi tão inesperada a sua partida, é difícil acreditar que não o encontraremos em lugar algum.
Foi o tempo que levou-o num silêncio estarrecedor...
Restaram algumas coisas, alguns medicamentos que não tiveram o poder da cura.
O Sol não anda mais pelo corredor...
O Sol não implica mais com sua imagem refletida na água...
O Sol não fica mais na chuva...
O Sol... não apareceu hoje...
Com o passar do tempo espero que eu esqueça esse sofrimento, da vida...
Que aos poucos leva a alegria e fere a alma.
O tempo, que mente, engana, passa rapidamente.
Pela manhã, o Sol não aparece mais por aqui...