sábado, agosto 25, 2012

alguns ensinamentos da morte


Nesses últimos 15 dias aprendi o quanto a vida vale. Ou talvez o quanto vale a vida, nada. Estamos vivos e logo não sabemos o que será do amanhã. Ver pessoas morrendo aos poucos, tentando viver cada segundo que lhes restam. Uma agonia terrível no olhar e a fala enrolada suplicando por um tantinho a mais dos dias que maltrataram cada centímetro do corpo. A insistência das mãos e o espírito calejado pelas dores prostradas n'alma. Me entristeceu profundamente ver alguns de seus últimos segundos de vida e não poder fazer nada para acalentar sua cabeça tão contraditória com as histórias vividas. As madrugadas sem fim, em que os olhos lutavam para descansar para que no dia seguinte pudessem ver os rostos que tanto negou. Os cuidados para que nada mais lhe causasse dor, o frio congelando os pés e por vezes as mãos. O último banho em que eu vi a sua força e a necessidade de um corpo limpo, leve de qualquer pesadelo da vida real. O café da manhã que insistentemente você dizia que estava tão bom, como se fosse o último de sua vida. Olhar para sua filha e descobrir que o cabelo estava branco, "você está velha", ouvi com voz que aos poucos foi se calando.Realmente, foi seu último dia... Retroceder alguns passos, lembrar dos dias de chuva, das crianças e da velhice que chegou sem nada dizer, apenas rompendo a certeza da vida. Agora para mim faz sentido quando ouço as pessoas dizerem que jamais esquecem, e que da vida nada levamos. Guardar amarguras e alguns amores mal vividos faz de nós peso morto, deixando de viver as belas coisas que a vida oferece. Assim, despedi-me de você, Vovó para que pudesse seguir um caminho sem torturas do próprio corpo... Quem sabe assim aprenderei a vida de uma forma diferente.

domingo, agosto 12, 2012

num domingo de agosto



ainda não descobri o verdadeiro sentido da amizade
se hoje eu preciso dos seus olhos e da sua palavra amiga
amanhã talvez eu esqueça que sentido você fez na minha vida
o existir de um amigo é conversar todas as horas do dia e da noite em que mais se precise de conforto
ligar para perguntar se passou tudo bem a noite
ligar para contar as conquistas e desejar que seja muito feliz nessa longa caminhada que é a vida
ontem, pensando nas amizades que tive... nenhuma foi amizade
no primeiro encontro dos obstáculos de um caminho escuro, todos me abandonaram
mesmo que houvesse distância, eu jamais teria ido sem olhar para trás
o mais triste é guardar tantos sentimentos entulhando a alma
a decepção e algumas histórias que contar
colegas de sobrevivência buscando ouvir a mesma melodia da chuva quando cái
que pela manhã não mais existirá
e assim a gente descobre que acima de tudo fica a família
por mais que divergencias existam a qualquer momento estarão lá
viver é tão difícil, estar sozinho mais ainda...
quando tudo acabar espero levar algo de bom, algum conhecimento sobre o outro
que para mim sempre será o outro.

quarta-feira, agosto 08, 2012

o que mais nos espera?


a cabeça confusa tenta lembrar, presenciar o passado
e os nomes numa língua enrolada pela doença que atinge o mais profundo da alma
nesses dias de inverno em que o Sol não aquece nem a si mesmo
esperar que o tempo passe é uma corrida contra o curso normal do existir 
pois chegar ao fim da caminhada sem perceber que os pés não mudam os passos
faz com que os olhos não se abram mais
na confusão dos pensamentos que permeiam cada segundo do adeus que se despede antes mesmo que o corpo torne-se por completo inútil
e se passar as horas depressa demais, antes lembre que é impossível esquecer de esquecer sua presença
sonhar e não sentir mais o gosto das coisas que faziam tão bem na vida
e quando tocarem cada centímetro de seu corpo sentir como se fosse uma agressão tão fria que a dor é intensa
do que valem as experiências da vida?
se daqui nada levamos...
apenas um espírito maltratado pelas coisas mal vividas...
que para muitos não existe a crença de que realmente exista...