domingo, setembro 06, 2009

até logo


E eu pensava que tudo seria para sempre e que para sempre tudo seria. Ontem recebi a notícia, foi mais que um mês. Que foi que restou do encanto do desprezo da vida? Apenas um objeto pesado com a ponta feita de prata e um cartão desejando-lhe "feliz aniversário". Restou? Os olhos tentando encontrar alguma característica sua em cada face vista por aqui. O gosto já não se sente mais, nem ao menos consegue-se lembrar. Doce, talvez, inocente... Fraco! Covarde, enormemente covarde. Se existisse um lugarzinho na alma que fosse indolor, acenderia então, a lareira e assim cada palavra, cada manual de instruções de vida, aquela memória de intenso volume, até mesmo aquele objeto pesado com a ponta de prata queimaria de modo que virasse pó. N'outro dia, meu ferimento, cheirando a cinzas e com as mãos ardendo o fogo que ali existiu escreveria com os estilhaços de vidro da janela: 'foi apenas o que restou'. Casa nova queimada por lembranças do passado. Distante um pouco, olhos tormenta anunciam nova era aos papéis em branco, amarelados pelo tempo.