quinta-feira, março 31, 2011

último existir



todos as noites algum silêncio passa por aqui
o quarto parece não entender o vazio que se forma
passo a passo
ouço baixinho
'ele está morto'
como viver uma morte em vida?
como falecer na convivência dos dias?
em seus braços, meu querido
em seus braços...
todos os dias pelos corredores
ele vem passa
bate às portas
grita e parece ninguém ouvir
eu sinto como se me levasse
gosto de seus olhos
gosto de seus lábios
gosto do seu cheiro
não fosse alguns passos
não fosse a chuva insistente lá fora
não fosse...
o gotejar das lágrimas
seu nome?
procuro as letras
quem sabe em algum próximo ouvir
estarímos nos perdendo no caminho
voltar numa fração de segundos
repetir e perceber o quanto, eu...
 me perdi por você...

quarta-feira, março 23, 2011

os dias se foram

perdido em meio a rodovia da vida...
esse é o sentido de estar sozinho
foi um atropelamento?
acho que não...
algumas pessoas aflitas
e a chuva não deixa de cair
foram alguns dias esquecidos
o asfalto molhado prendendo os pés de quem passa.
alguém comentou que foi a correnteza.
de onde?
aqui não existe mar, lagos, rios ou coisa assim...
sentimentos, que outra coisa seria?
dos olhos... dos olhos.
correnteza...
tinta branca, as luzes todas apagadas.
você estava lá quando ocorreu, parece-me tão abatido?
estive uma vida inteira
e o que ouvi foi apenas mais um suspiro de adeus
como quem diz adeus a um filho
como quem diz adeus a um amor
como quem diz adeus a um amigo
as horas se passaram, a estação mudou
as costas doem
foi o tempo e o andar de mal jeito
foi o ciclo do que é vital
hoje mais um dia se passou estranhamente
estava pensando em você, uma leve brisa passou por aqui
a tarde...
foi só o tempo...
triste é olhar para trás e perceber que você nunca esteve aqui...
que deixei muita coisa por fazer...
que deixei de dizer...
talvez...
a poesia e alguns degraus a serem voltados...
não feche os olhos, logo depois do pôr do sol...
não feche os olhos...
via de mão única.

domingo, março 20, 2011

not found


Por Deus, eu não queria tê-lo encontrado novamente
Nossos pensamentos uns aos outros se confundem
O que posso fazer se de sua mente não posso fugir?
O que posso contar, as histórias que poderíamos ter vivido?
Como se eu pudesse ler seus olhos e cada coisa que se passa em sua cabeça
Um aventureiro, uma casa distante e a vontade de viver ao meu lado
Nos desiludimos tanto que o que nos resta é o desalento
Da alma que me machuca todos os dias â tardezinha
Chorando escondido
Andando rapidamente
Correndo de seus passos
Um oi sem graça
Algumas aulas a serem dadas e assistidas
Vamos, aqui, infelizmente, é a vida
Que se esquece de nós o tempo todo
Todo tempo...
Amigos, os deixamos para trás e voltamos buscá-los
Perdemos.
Tantas perdas, tantas foram elas
Meio torpe, cambaleando
Um único desejo, tê-lo em meus braços
Fugir, viajar para bem longe
Longe do que nos perturba
Deixe-me contar o que se passa em sua mente...
Deixe-me ouvir seus pensamentos
Deixe-me ir além
Deixe-me chegar à sua boca
Palavra-desejo...
Deixe-me vê-lo...
Por Deus, deixe-me esquecê-lo...


domingo, março 06, 2011

só o tempo...


Esperamos tanto tempo e vemos que o Sol está tão doente

Pensei que ele jamais ficaria nesta situação
As últimas semanas ele está sofrendo tanto
Tentamos aliviar a dor que ele sente, mas quem é que vai entender o que ele quer dizer
O Sol anda aparecendo vagarosamente
A cada passo que ele pricipia com dificuldade em todo lugar ele pára
Todos morrem algum dia, e sempre esperamos que seja tarde demais
A cada nascer e pôr de Sol lembramos como o tempo estava nos momentos marcantes da vida
Dizem que a vida é eterna, acredito que seja no sofrimento e no desalento dos tempos
Cada vez que ele, intensamente, me olha nos olhos, parece querer dizer Adeus
Coisa que não permito
No desespero de tê-lo por mais alguns meses, o sofrimento é inevitável
Sem fim
O Sol anda tão perdido, parece não encontrar o caminho de volta para casa
Antes eu o ouvia todas as noite na porta do quarto, e numa correria, só, pelo corredor
Sinto que o sono está levando-o devagarinho
Tento entender, porque algumas pessoas têm as mãos maldidas
O Sol era tão perfeito
Espero que pela manhã ele volte aparecer
Mesmo com cheiro forte, é uma alegria vê-lo
Depois de tantas lágrimas e as interrogações que acalmam por aqui
Até quando o Sol estará assim
Ele está em todo lugar esquecido para não mecherem em seus machucados
Eu espero
Espero ele querer falar comigo, perdi tanta coisa nesta vida
E percebo que o Sol, pela manhã, talvez não apareça mais...
Meus olhos, assim caminham ao longe tentando encontrar o pouco de Sol que nos resta...