
Vinte e um de agosto de 2008. Frio, lua entre nuvens, céu nublado.
Como está querida? Ou deveria referir-me a você com seus sinônimos? Você sabe tudo que tenho passado e por isso resolvi escrever-lhe. Eu falaria de uma história sem fim, de um personagem perdido, de um cigarro aceso, de fogo e os elementos essências para se construir uma vida através das palavras, porém seria chato demais, vou resumir. Eu venho falar de um ser que tem medo, muito medo do que não pode ver. Ele tem pesadelos durante todo dia e quando chega à noite, recebe um convite para vivê-la intensamente. Acho um tanto quanto estranho tudo isso, mas sei que compartilhando com você, talvez eu obtenha alguma resposta para meus devaneios. Lembra das outras vezes em que te relatei o amor incondicional que virou tormento, depois veio prejudicar a sua vida, chegando às vias de fato? Aquela mágoa sustentada a cada minuto de vivência posterior. Lembro-me como se fosse hoje o vermelho daquele sangue escorrendo pelo chão enquanto alguém gritava por socorro. Estranho foi depois descobrir que ficaria na sua intenção aquele ocorrido. Desculpe-me a falta de bom senso e a minha indiscrição, mas foi inevitável lembrá-la nessa cena enquanto correm as horas nos ponteiros movediços do relógio. Outro ponto que gostaria de lembrar aos seus olhos. Sabe do que sinto saudade? Sinto tanta falta dos dias de inverno, as árvores cinzas completando a paisagem. O branco do gelo cada manhã que eu via o sol nascer com meus olhos avermelhados, latejantes diante das páginas de um livro. Com a lareira acesa, tomávamos um bom vinho ao passo que contávamos histórias de nossas vidas perdidas e mal vividas. Pela distância que nos separa é triste escrever-lhe sem ao menos olhar em seus olhos, observar as tantas expressões de seu rosto e imaginar o que de imediato responderia a mim com um sorriso entre lábios. Coisa que nunca vi você demonstrar, um sorriso por inteiro. Sou viajante destas linhas de lembranças. Sou sonhador que não consegue ao menos fechar os olhos para a noite. Não sou nada mais que isso nessa vida e sei que é tarde para tentar alguma coisa. Estou desiludido e hoje estou de partida. Cansado, sigo em direção à primavera. Lúgubre primavera que desbota meu viver com suas depressivas flores, escolhendo a quem dizer adeus. Até breve, espero notícias suas...
Como está querida? Ou deveria referir-me a você com seus sinônimos? Você sabe tudo que tenho passado e por isso resolvi escrever-lhe. Eu falaria de uma história sem fim, de um personagem perdido, de um cigarro aceso, de fogo e os elementos essências para se construir uma vida através das palavras, porém seria chato demais, vou resumir. Eu venho falar de um ser que tem medo, muito medo do que não pode ver. Ele tem pesadelos durante todo dia e quando chega à noite, recebe um convite para vivê-la intensamente. Acho um tanto quanto estranho tudo isso, mas sei que compartilhando com você, talvez eu obtenha alguma resposta para meus devaneios. Lembra das outras vezes em que te relatei o amor incondicional que virou tormento, depois veio prejudicar a sua vida, chegando às vias de fato? Aquela mágoa sustentada a cada minuto de vivência posterior. Lembro-me como se fosse hoje o vermelho daquele sangue escorrendo pelo chão enquanto alguém gritava por socorro. Estranho foi depois descobrir que ficaria na sua intenção aquele ocorrido. Desculpe-me a falta de bom senso e a minha indiscrição, mas foi inevitável lembrá-la nessa cena enquanto correm as horas nos ponteiros movediços do relógio. Outro ponto que gostaria de lembrar aos seus olhos. Sabe do que sinto saudade? Sinto tanta falta dos dias de inverno, as árvores cinzas completando a paisagem. O branco do gelo cada manhã que eu via o sol nascer com meus olhos avermelhados, latejantes diante das páginas de um livro. Com a lareira acesa, tomávamos um bom vinho ao passo que contávamos histórias de nossas vidas perdidas e mal vividas. Pela distância que nos separa é triste escrever-lhe sem ao menos olhar em seus olhos, observar as tantas expressões de seu rosto e imaginar o que de imediato responderia a mim com um sorriso entre lábios. Coisa que nunca vi você demonstrar, um sorriso por inteiro. Sou viajante destas linhas de lembranças. Sou sonhador que não consegue ao menos fechar os olhos para a noite. Não sou nada mais que isso nessa vida e sei que é tarde para tentar alguma coisa. Estou desiludido e hoje estou de partida. Cansado, sigo em direção à primavera. Lúgubre primavera que desbota meu viver com suas depressivas flores, escolhendo a quem dizer adeus. Até breve, espero notícias suas...
19h57min
Sempre viajante do tempo.
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