terça-feira, maio 26, 2015

e...

Nunca fui de suportar as lamúrias da vida que em dias de outono a chuva conta histórias que nem deveria mais lembrar. Na ausência sempre encontramos um modo de justificar aquilo que deu errado, na primeira, na segunda e nas próximas vezes. O barulho da água transbordando de seus olhos como as ondas de um oceano revolto, faz perceber que nem sempre tudo aquilo que desejamos é o correto para a vida. Para você. Sonhos perturbam as noites em que a cama inquieta te empurra para apenumbra que existe embaixo dela. Brincamos sem nos dar conta de que estávamos morrendo aos poucos...Hoje completamos a missa de sétimo dia em que ninguém mais se lembra quantos passos demos em direção a saída oposta de seus (nossos) desejos. Fechamos lentamente os olhos e recordamos ao chegar em casa sua ausência, na verdade nunca esteve aqui...foram apenas segredos escondidos em papeis de presente que nunca foram abertos. Procurei em cada segundo encontrar algum resquício seu que me fizesse feliz..Calada segui na direção inversa, espero que esteja bem, assim como... Não sei, apenas os anos passam e não somos mais os mesmos.

segunda-feira, maio 25, 2015

Adeus

Há um cortejo fúnebre dos gatos que em passos lentos se despedem de mais um que se foi... Afogada na tentativa de sobreviver mais alguns segundos, seu bigode levemente se movimentou... Logo o cântico dos felinos deu o adeus a alma mais velha das sete vidas... Foi-se no negro da noite chuvosa... A impressão que fica, talvez ela tenha vivido muito, talvez ela tenha vivido pouco... Talvez ela nem tenha vivido... Sem nenhuma história pra contar! Adeus... O silêncio ensurdecedor guarda rapidamente a realidade...

sábado, maio 16, 2015

...já faz tanto tempo


...quantas lembranças uma música pode guardar? Em silêncio, ela caminha pelo corredor e chega até a sala. Guarda em seus olhos momentos que eternizaram-se em sua alma...um breve suspiro para que pudesse notar as recordações transbordarem pela luz da lua que entrava pela janela da sala e instalava-se em todos os cômodos. Quem disse que a vida esquece de olhar em seus olhos e mostrar-lhe que suas fraquezas ainda moram contigo e por um instante você pode desmoronar...momento envolto em um passado que se compõe em partituras empoeiradas em sua mente, quase esquecidas, mas que teimam em se fazer presente em noites como esta...e  o sopro dos ventos procuram encontrar canções menos dolorosas para que a vida seja como o toque suave da chuva de verão. Já faz tanto tempo que a solidão deixou de ser passageira e vem nos visitar todas as noites, como vagalumes que costuram o céu noturno desse inverno que nunca se vai.  E você descobre que apenas vive, dia após dia, esperando que a vida possa, em um momento qualquer, voltar a proporcionar-lhe momentos inesquecíveis como aquelas lembranças guardadas nas nossas canções de Vivaldi. Esperando então, ela fica...para, quem sabe eternizar um novo amor em novas lembranças, em outras canções, em outros silêncios, em outras recordações...sem que o mundo ao menos desconfie, que um dia, por breves momentos, suas mãos puderam tocar os ombros da felicidade...