
Quem não gosta de contos de fadas. Bobos daqueles pensarem que são apenas para crianças. Veja só, aconteceu um bem há pouco tempo, história de amor sem fim. Não sou boa em contá-los, entretanto as pessoas adoram me envolver neles. Foi logo nos primeiros dias do ano, príncipe encantado, amor dolorido e moça que de nada sabia. Lá pelas 16h, o sol terá mais um motivo para brilhar e o amor um motivo justo para existir. Num passe de mágica, quero um beijo seu. Nada mais que virtual, imaginei eu. Não, estava enganada, no decorrer dos dias passariam horas de juras sentimentais eternas. Frases curtas, mas precisas. No século em que estamos, não precisa saber quem você é, apenas uma justificativa do que se quer. Mais um telefonema. Toca dez vezes por dia, súplica de cada nota da melodia exalada pelo celular. No momento certo, pode ser que aconteça em minha vida, quando for a hora exata, tê-la-ei em meus braços, pode ter certeza de que nada e ninguém poderá tirá-la de mim. É, e eu pensei que esta fase já tinha passado. Só hoje, amanhã será um outro dia, você não terá a chance que estou te oferecendo agora. Não foi exatamente isso, porém são quase as mesmas palavras. Numa viagem inesperada, vem o susto. Depois de três horas de conversa, surge a brincadeira. Logo em seguida a ira da pessoa que realmente ama, cuida e espera pela outra. No dia seguinte, diria eu, só amanhã, tudo se resolverá. Num desgaste extremo do tempo, das pontas dos dedos e do tímpano afora, acontece a revelação. Jamais poderia ter sido. Na sexta-feira o silêncio, o sumiço por três dias. Ah, se você soubesse, não estaria como eu. Como se daquilo a temperatura do corpo subisse, a cor imediata da pele se tornasse amarelo empalidecido, seria num intervalo de meio em meio segundo as pontadas em todo corpo. Num funeral à rosas e tulipas vermelhas, enterrei-a no fundo do meu coração. Talvez essa fosse a última vez que eu leria tudo aquilo. Por mais alguns dias cinzentos duraram inexpressivas palavras. Sinal de vida, quem sabe ainda existisse. Você marcou demais a minha vida. Nos fundos, o cochicho vem logo atrás do “foi tarde, muito tarde”. Como gotas de chuva as lágrimas de quem nunca amou, mas que tem o dom muito bonito de fingir. Mentir é fácil, difícil mesmo é não acreditar na própria mentira quando ela foi mais que bem feita.
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