cada vez que olho em seus olhos percebo o quanto de dor está dentro de você.
uma dor que lentamente percorre seu rosto e o coração apertado sofre com os fatos da vida real.
olho suas mãos, trêmulas buscando se juntar para que não percebam seu nervosismo.
os seus pensamentos que longe vão e nós que aqui ficamos.
você tão distante dela, e ela num silêncio que sangra lentamente
inevitavelmente as lágrimas surgem...
num desespero, numa busca por uma desculpa aceitável
a distância vai se tornando cada vez mais insuportável...
num canto escuro, ao lado da janela...
o sol lá fora, aquecendo as pessoas em frente as suas casas...
você aqui dentro e uma atitude impensada
uma ferida que dói, perde os sentidos
maltrata tanto que os lábios nada falam
mais alguns minutos
nenhum telefonema, nenhum e-mail
te vejo sentado e ao seu lado o amor que foi roubado
e agora voltando em passos lentos
a rua tão movimentada
e o som alto para esconder dos ouvidos os gemidos
triste, tão triste vê-lo assim
perdoe-me meu amor
não queria te ver assim
a espera que nunca chega
o relógio tão frio
e os olhos abertos para não perder o movimento das nuvens
corro em sua direção
logo vem o desespero
perdoe-me meu amor
não queria te ver assim
mais um amor que se perde na multidão
em meio ao perfume da esperança
e a desconfiança do sentimento
contudo
ainda é amor
ainda é amor
