domingo, outubro 14, 2007

Mais uma história

Já não sei quanta história contam os seus cabelos.
Há dias que tento traduzir suas cores.
Fio a fio não pude deixar de pensar nos acastanhados, imaginei-os vertendo as cores de suas memórias...
Fitei-os com olhos azuis na tentativa de encontrar música nos seus repiques...
À guisa de seu brilho tentei traduzir a mensagem que se esconde no seu esteriótipo.
Carapaça criada, cobertura de sombra em telhado de vidro.
Cores vibrantes, disfarce...
Esconderijo para pequenos cortes e cicatrizes... mais algumas feridas abertas...
Nos seus fios arrepiados pela cor escondida de seus segredos estive percebendo seus pensamentos.
Acho que foi assim, fiquei notando seu medo, para justificar sua presença...
Um segundo perdido para revelar suas incertezas...

terça-feira, outubro 09, 2007

Outra história

Às vezes penso que ando imaginando coisas. Talvez eu tenha lido muitas histórias infantis... O caso é que tenho visto princesas beijando sapos e os sapos se justificando comigo, loucura pura. Talvez seja porque me dê bem com os animais ou eles me considerem “uma amiga”. Eu explico melhor. Foi esses dias, andando pela rua ouvi um “psiu”, continuei andando, mas o barulho persistiu, não pude ignorar. Logo veio o bichinho verde, choroso, carente me contar seus infortúnios. Fiquei ouvindo por um tempo até me pronunciar, falei para ele da vida, do que é o amor, de como são as pessoas, mesmo assim o garoto insistia em anunciar sua devoção pela princesa que o beijara. Cansada de atender ao seu chamado comecei a inverter o jogo. Tentei mostrar-lhe que o amor da princesa era conto que não encantava mais, disse que ele, para ela, continuaria na condição de ser rastejante, mesmo depois do beijo encantado a moça o via como sapo, foi inútil. Meu amigo continuava a lamentar o amor que não acontecera, continuava a ferir-se com algo que não poderia ser. Numa última tentativa me dispus a caminhar com ele mostrando o encanto dos lagos, a beleza das flores, o cantar dos pássaros, a magia da amizade, a alegria das crianças, o encanto das brisas de primavera, o que significava viver como homem mesmo sendo sapo. Não adiantou. Cansada desisti! Na ânsia de alcançar o mais profundo da sua alma corri por entre as flores, só não percebi que elas me feriam com seu espinho, suspensa pelo sangue que brotava do seu medo, fiquei em silêncio vendo você se perder na tempestade!

domingo, outubro 07, 2007

Uma história


Parei para observar a chuva...
Na escuridão que caía dos teus olhos.
Gotas vertentes de meias palavras.
Fiquei me imaginando colorindo seu mundo, foram mil idéias...
Uma magia.
Uma flor.
Uma pedra preciosa.
Nada nada!
Nenhuma idéia me fazia acreditar que pudesse te trazer de volta...
Uma música.
Cantiga de ninar.
Toque do telefone.
Nada!
Estúpida pensei em violações, talvez algo que te fizesse sangrar...
Não! Outra pessoa já havia feito isso.
Não adiantou...
Foi então que me imaginei no seu lugar...
Recostei-me no silêncio de sua memória e recebi flashes de seus raios.
Ouvi acordes dos seus trovões.
Presenciei farpas nas suas mãos...
Retirando uma a uma fui consentindo que me alcançasse até emudecer a alma.
Encontrei você desiquilibrando meus sentidos.
Num momento imediato...
Poderia ser guerra...
Poderia ser cura...
Poderia ser medo...
Nada nada...
Foi apenas um rosto escondendo as feridas das mortes, das vidas.
Foi apenas um rosto escondendo memórias bibliografadas na essência do seu interior.
Uma invasão de sentidos.
Amordaçando suas palavras...
Nada mais poderia ser feito...
Mas você sabia que eu estava lá.
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quinta-feira, outubro 04, 2007

4 de outubro

As páginas estão amarelas, não para chamar a atenção para algo importante ou para indicar onde encontrar o que. Nas "playlists" das linhas do tempo, as páginas estão amarelas porque se envergonham da vergonha de serem tão mal escritas.
Eu não sei o valor que isso tem, imagino que sirva para refletir sobre os caminhos postos nos tapetes brancos das páginas amarelas.
Se alguém um dia escreveu "certo por linhas tortas", hoje escrevo torto por linhas mais tortas ainda.
Deve ser por isso que tenho impressões e que elas só impressionam, não fazem diferença.
Brisa de verão abrindo caminhos só para ir embora.
Não sei, mas talvez saiba que se ela se for será um convite a solidão, porque dela brota vida, contudo se ficar provavelmente tudo se acabe...