sábado, agosto 24, 2013
você...
Guardei rascunhos o quanto foi possível guardar. Guardei, e junto deles guardei os arquétipos que faziam da vida o mais singelo presente para alguém que não tinha muito tempo de vivê-la. Assim o tempo passou e ninguém soube o que realmente aconteceu. Agora... num caminho de volta, inevitavelmente contam-se as perdas... Pois daqui nada se leva. Mais uma vez que as estrelas ouçam meus pedidos, quem sabe assim o mundo se torne um pouco melhor... Lá fora a escuridão e a brisa leve no rosto... saudade já passou, quem sabe amanhã em seus olhos, meu amor... e se não acordar, fique sabendo... Reticente, o hoje já passou...
domingo, agosto 11, 2013
e para hoje: dia dos pais...
Talvez o dia tenha passado num saudosismo do
cortejo fúnebre em que a vida celebra muitas coisas, eu poderia contar mais uma
delas... Um adeus em vida onde se conta cada pedra afastada de seu
caminho, cada escuridão que passou, cada sofrimento que sofreu... redundante
não é mesmo? Assim como tantas outras respostas que poderiam ser dadas. E nos
trajes do inimigo buscar acalento para a alma calejada de ser salva das
maldades que você mesmo provocou. Uma injusta escolha que reflete o futuro, e
se é para dormir nos braços de lúcifer, que o sonho seja eterno, de meus filhos
nada tenho, apenas a alegria de crianças que trazem algum conforto para minha
vida vazia, suja, podre... apodrecida, bolorada. Meu pai? Acho mesmo que
nunca o tive, alguns traços físicos, alguns gestos característico, mas ele
mesmo... nunca tive como pai. Agora nesse dia que passou vi minha ilusória
felicidade escapar pelas mãos de minha mãe. Voltei alguns anos numa história
amaldiçoada pelo tempo que agora apenas uma mulher constrói meus sonhos, me
ludibriando, me mostrando um caminho ao qual nunca tive acesso por ter uma vida
protegida por anjos. Os anjos enegreceram minha aura e fazem de mim escravo de
qualquer conto de fadas. Nunca tive nada meu, pois nunca tive capacidade para
isso. Nunca tive ganho meu, pois nunca trabalhei para isso. Vivo de espera, de
migalhas dos outros, de traiçoeiros. Vivo... apenas isso. Um telefonema e mais
uma vez escolhi. Eu mesmo preparei a alma de quem me trouxe a vida, levei-a por
caminhos tortos, até chegar num campo deserto povoado por inimigos que eu
escolhi um a um, cavei até o mais profundo da terra e escolhi, enterrei-a viva
sofrendo pelas escolhas erradas que fiz. Meu nome, escondido em meio à névoa de
um dia frio, mas que ainda surgiria o sol. Algumas histórias bíblicas
contam que o sol e a lua chegaram a parar durante minha batalha, quem sabe
desta vez tenha acontecido o mesmo. Nesse dia 11 de agosto de 2013, dos pais em
que um filho enterra a mãe viva para que não atrapalhe suas escolhas tortas que
maldizem seu nome. Meu nome? Certo de que muitos acertarão... Vou seguindo de
volta tapando os ouvidos com as mãos para não ouvir a súplica de quem me salvou
tantas vezes da penumbra de meus olhos que me mostravam monstros inexistentes
tão existentes que se apoderavam de meu corpo no extremo do medo. A súplica de
minha mãe que tantas noites passou e passa acordada para vigiar meu caminho, e
que deu seu sangue para que eu sobrevivesse a tormentas. A minha mãe que eram
meus olhos. A minha mãe que agora se cala mesmo viva, porém sem vida em minha
vida. Você ouve? Eu? Já não escuto mais.
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