
Eu quase pensei que era sonho. Não fosse o barulho das businas e o barulho do pneu no asfalto. Sei lá, estava tudo tão calmo, tão pleno, parecia mesmo sonho. Recostei-me no banco e fui vertendo expectativas; será que interrompo o silêncio e me atrevo a pronunciar uma coisa qualquer? Não! Talvez seja inconveniente. Uma olhada rápida na tela do celular, passa das 23h... Os minutos entre o corredor e a porta, depois dos créditos do filme, acho que aquele filme quebrava alguma coisa ou alguém brigava... Estava confusa será que eu comento o roteiro? Talvez seja melhor guardar a magia das gotas vermelhas do sinal cair. O ronco do motor, um tropeço na marcha, só mais um minuto e tudo se acaba, bocejo de sono. Um olhar com o canto dos olhos e o silêncio se quebra ao abrir a porta.
-Boa Noite, meu anjo!
Você ficará bem?
Escolhendo as palavras, respondi em ton de despedida...
-Vou sim!
E não voltei, nunca mais...