quarta-feira, agosto 25, 2010

Say






Disse ele, o que tinha a dizer...
Repousando sobre uma fantasia de sonhos sombrios
Sussurra hoje, para um silêncio envolto por palavras
Sua dor...
Lembranças que vem e vão, e fluem como adagas n’alma
Destroços de um alguém que se espalham por todo lugar
Deixou ontem um último sorriso guardado na chuva
...e tentando encontrar um caminho, uma esperança
Talvez se pudesse voltar a sonhar!
Procurando em silêncio um modo para deixar de desejar o que já não pode ter
Se atém a um desejo desesperador por sentir menos solidão
Pergunta a Deus, quase desacreditando que receberia uma resposta
-seu anjinho já pode parar de sofrer?
...e ele então responde que seu anjinho está assim por sua própria vontade, foi desonesto consigo mesmo, as dores da alma, as dores do corpo e da vida já não se podem curar...
talvez um dia, consiga amenizá-las
busca poder segurar a paz para seus dias
se pudesse apenas deixar de ter medo
se pudesse fazer renascer a parte de sua alma que está morrendo dia após dia...
...diz já não acreditar mais em paixões, pois foram estes sentimentos que deixaram seus dias mais pesados
Descobrindo que poderia amar mais do que sua alma poderia suportar
esquece ainda que guarda um segredo a sete chaves,
já não pode mais...
não pode mais viver assim, neste eterno vazio
e se por ventura posssuíres a cura para este amor
ensine aos ventos caminhos menos dispersos...
se puder descobrir seu próprio segredo
quem sabe assim possa encontrar uma resposta para estas dores eternas...incuráveis!

domingo, agosto 15, 2010

roubaram você



Uma noite fria e as árvores mostrando o movimento do vento. Uma escola deserta onde todos os medos se contradizem e contam a história da vida passada. Somos tão amigos que substituí meu irmão por ele, dizia o Anjinho. Assim intitulado pelos seus cabelos encaracolados e suas atitudes e palavras de bondade. Era um rapaz tão humilde, capaz de se apaixonar, sofrer e aceitar as apostas dos amigos, que por ele passam, brincam, escorraçam e humilham. O Pintufa sim, repetia ele, mais que um irmão. Uma tarde brincando na rua, seu pai me apoiou, me deu o que comer... Recordações do tempo passado para justificar o erro presente. As pedras que hoje me atiram, se a Sra. reparar direito, olha aqui, veja como está igual ao dos colegas dela. Com os olhos atentos, ainda que fosse verdade nenhum vínculo além do profissional continha alguma pessoalidade na história toda. Está chegando ao fim e os números estão sendo arrumados. Me deixe relatar o que realmente aconteceu.

Minhas atitudes estão contrariando meu coração, eu sei.

Perceba o quanto somos amigos, Pintufa não tem culpa de nada, eu e ele somos vítimas fatalizadas em toda essa história confusa. Fizemos um pacto que nada destruiria essa nossa amizade de anos. Ele tem tudo que não posso ter, quando criança compartilhavamos as mesmas coisas sem que lembrassemos que não eramos do mesmo sangue. Tudo que o pai dele dava para ele ,eu tinha o mesmo direito. Agora lemos e ouvimos através dos dias o que nunca foi nos dito antes, com que direito as meninas fazem isso? Ferem nosso sentimento, acima de tudo somos seres humanos. Me passe seu telefone ou a Sra. me ligue para conversarmos que tenho muito que falar.

Passaram os dias e o telefone não se ouviu tocar, nem na esperança de uma segunda chance... um "segundo sol".

Eu explico melhor.
São dois meninos levados pela vida, sem direção ou rumo certo a seguir. Um deles chama-se Anjinho, pois tem cabelos enroladinhos, e suas palavras e atitudes de bondade dizem sobre ele. Rapaz bonito, chama atenção, tem grandes sonhos que não conseguiu realizar, um segredo que na pressa de contar esconde a quatro chaves. Em meio ao vazio de seu mundo encontrou um ser tão mais perdido que ele e juntaram-se ao abondono do acaso. Amigos confidentes da madrugada, nada tem a esconder um do outro, além da diferença de idade.

Por sua vez, Pintufa, um menino crescido apanhado pela vida e desejos de seu pai. Tem um grande coração, porém não sabe lidar com as verdades do mundo. Inocentemente aprendeu amar, nunca levou um não e hoje dói saber. As pessoas o tem como amigo por seus bens materiais e seu limitado poder intelectual. Passa as noites em branco, não consegue segurar seu sono, com medo do que pode vir acontecer. Uma pessoa interessante de se ter como amigo, agora o que lhe resta é o Anjinho.

Dois seres humanos perdidos.

Vazios de qualquer divindade de pensammento.

O erro mais cruel que nesses últimos tempos aconteceu com eles, é amar em silêncio. Hoje um relato de suas dores insuportáveis, criam mais uma ferida na alma.
O que mais querem...

Voltar para casa sem serem feridos... mais uma vez...





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"A perda faz o repensar"



sexta-feira, agosto 13, 2010

furtivamente


o vento está no sentido contrário de meus passos
somos eu e ele, uma invenção para o futuro
os dias de sol e vento nublado e a correria da vida passada
que passa, destrói e nada tem construído
um presente de mentira
feito com o resto de sangue em branco que escorria de seus ouvidos
que nada falam
apenas cortam o vento, que agora muda seus acordes
poderia chover dos céus de negro cinza
escondendo a estranheza de meu coração
minha cabeça dói
eu conto os dias para que este ano termine logo
e que não chegue o próximo
pois assim posso viver de dias eternos
fechados dentro de extensos cubos
onde eu possa escolher
eu olho para as borboletas que vivem apenas algumas semanas
penso que elas sejam a solução
quem sabe se eu...
minhas mãos estão machucadas...