sexta-feira, junho 26, 2015

primeiras horas

E quando nos demos conta o tempo já tinha passado. Era segunda-feira de inverno e nem adeus ao certo saberíamos dizer. Em passos lentos, fazendo o caminho inverso o de casa, nos afastamos na esperança de nos encontrar. Foi assim, com as mãos gélidas e o coração acelerado. Não houve abraço e a marcha fúnebre embalava nossos pensamentos. Alguns metros de distância e as lágrimas que insistiam em se fazer presente. Nessa ausência de vida, nenhuma palavra conforta. Bem felizes aqueles que entendem que nem sempre tem solução os conflitos do não viver. Mais uma etapa está chegando ao fim e nem ao menos sabemos onde estamos, onde chegamos e para onde vamos. Sempre essa espera pelo final perfeito que traz tanta desconfiança que nem ao menos diz bom dia. Está chegando ao fim, mas dentro de um espetáculo que não foi de nenhum de nós. E nessa tarde que o sol não aquece nem mesmo o céu azul que reflete seus olhos... Quem sabe amanhã encontremos algum sentido nesse profundo silêncio, que nos trouxe a morte...