Às vezes é necessário permitir-se. Permitir-se sair pela porta da frente e ver como o dia está lindo, em que o céu de azul intenso conta histórias que atrás dos olhos passam numa fração de segundos e que jamais serão esquecidas. Em meio a essas palavras de revolta e o descaso com a vida, ainda existe um motivo para viver e achar que em alguns dias o Sol mudará o sentido do vento para aliviar esse caminho ainda não percorrido. Inicia-se assim, a vontade de contar às pessoas, ou pelo menos algumas delas, que a vida vai bem além disso que se diz felicidade. Não é somente estar ao lado das pessoas que você pensa gostarem de você, beber a noite toda esperando que pela manhã algo de novo surja nessa imensa solidão que são as horas só. Tão somente que nem o silêncio da inquietude da alma faz você parecer sereno, na serenidade de uma manhã de outono. As folhas levam embora alguns sentimentos desconcertantes e ao final da tarde cantando os pneus me despedi de você. Ou ainda pela manhã ali, na frente de casa ouvi o mesmo barulho de ontem, talvez algumas milhas a mais, e o rastro que se deixa indique a veracidade que as pessoas teimam em tentar viver. Antes que a chuva se apresente, quem sabe as pessoas saibam que hoje o dia está lindo e que vale vivê-lo, escondendo-se nessas mentiras/verdades de uma vida noturna em meio aos ratos das ruas e os gatos que teimam caçá-los. Nas palavras de minha Mãe Iza, eu vi a despedida em marcas de suas rodas em pedras que não saíram do lugar... eu vi sua despedida em pedras que moveram-se, machucaram alguém... Quem sabe num futuro próximo você descubra quem foi. E nesse dia lindo, vivemos... Vivamos... Aplaudimos, a vida que passa depressa e mostra que o tempo não espera, apenas destrói qualquer sonho inacabado daquilo que não se pode ter.
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