Chorar foi tão
necessário quanto a chuva que hoje caiu. Minha alma embevecida de saudade, onde
alguns passos em quatro patas, pequenas quase não perceptíveis não mais veremos
pela casa. Mais uma vez nos vemos numa situação amaldiçoada pelos olhos do
mundo, que nem sempre notam o quanto pesa às costas nesse caminho tortuoso que
é a vida. A tristeza permanece na lembrança e no desejo de dias melhores. Eu já
tive anjos que corriam pela casa, andavam entre meio aos meus pés quase que num
tombo me faziam sorrir como criança. Agradecer a essa Deusa dos deuses que é
minha Mãe Iza é o mínimo que posso fazer. Ela mudou a essência dos ventos para
que não soframos tanto; esse pesar que cega meus olhos e mostra que não sou
nada diante dessa caminhada que um dia terá fim. Agora, o que nos resta é sofrer
em silêncio, mais uma partida desolada de uma criaturinha que só alegrava a
minha vida, acabou seu sofrimento, mas ainda assim é muito triste lembrar... a
impressão que fica dos cuidados que tivemos... A noitinha que chega levando
embora o dia, e alguns pingos que se prostram do lado de fora da janela... Mais
um Adeus. Continua a vida, algumas trajetórias para contar que talvez não
interesse a muitos, porém se muitos tivessem a divindade que tenho dentro da
minha casa saberiam o quanto de valor tem a vida. Que se hoje chove é porque
tem algum sentido. Se as luzes apagam é porque tem algum sentido. E se os
ventos revoltos mostram ao cabelo que envelhece a cada dia, procurando em
nossas cabeças a maturidade, o sentimento, a dor é porque tem algum sentido,
esse sentido quem faz/quem é... Mãe Iza, que modifica a vida e mostra os
caminhos a serem trilhados... Obrigada, Mãe... por todos os dias em que estive
em estados de tristeza profunda e você se importou tanto quanto nos dias de alegria
extrema... o cansaço e meus medos escondidos embaixo da cama fugindo de mim
mesma. Obrigada meu anjo.
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