Eu admiro as pessoas que sofrem o tempo todo e ainda perante os outros sentem uma felicidade enorme em dividir as mentiras da vida em sociedade. Admiro aqueles que têm tantas mães e acaba não tendo nenhuma por não saberem que amor de mãe é único e indispensável para que a vida retorne de um caos nas palavras ouvidas em momentos de angústia. Aqueles que passam momentos sozinhos, tão só que pensam estar em meio a multidões que fazem eco aos seus ouvidos e assim dizem-se surdos no silêncio que atormenta a alma e faz com que o vazio se ausente nas brisas de uma noite sem fim. Pela manhã constatar que viver é caminhar para o fim, um fim que todos um dia terão um menos e outros mais doloridos, na confusão dos pensamentos e nos arrependimentos de culpa que a velhice nos trás de última hora. E se for cedo demais a culpa pela imprudência de se ter vivido mal numa imensidão de atitudes que poderiam terem sido diferentes. A mim, resta a admiração dos faladores em plantão, que necessitam o tempo todo da ajuda do mal falado e ainda assim, com um sorriso no rosto cumprimenta como quem diz que a vida segue, pois cada um entendo do que fala. Chorar algumas lágrimas de crocodilo como diz o ditado e voltar algumas pedras que machucam os pés, mas mesmo assim é possível suportá-las, pois a todo tempo é inevitável lembrar que sou eu quem invade o caminho delas. Mais um dia e talvez tudo isso passe rápido demais, para ter histórias para contar e dizer do sofrimento em silêncio que muitos ainda ão de passar...
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