quinta-feira, maio 10, 2012

devolva-me depois de ler


eu percebo seus olhos atentos prestando atenção em cada segundo de palavra falada logo afrente de suas mãos
eu percebo que suas mãos inquietas num ir e vir ao seu rosto
que todo tempo, o tempo todo mostra o que dizem seus pensamentos
e se perguntarem algo, se ajeita em sua cadeira, disfarçando e falando baixinho para que não percebam o que dizem seus olhos
a inquietude de suas pernas, que em alguns momentos, talvez temam que o tempo passe depressa demais, acabando com suas expectativas de noites melhores
seu trejeito no andar que pesa seus ombros carregando o desprezo pelo mundo
contam, cochicham coisas sobre você que ainda não consegui identificar
quem sabe na convivência do silêncio dos dias em que as palavras nada dizem
na prova das verdades-mentiras quem sabe algum dia alguém explique...
o ir e vir de sua caneta entre seus dedos e o desejo de estar bem distante daqui
seus cabelos ouvindo as reclamações da vida que logo passa
assim  como as pessoas que às vezes algumas coisas escrevem em nossas linhas
e outras que como o vento trazem soluções, alívio para o cansaço dos olhos que se fecham e ao se abrirem logo percebem que estão sozinhas mais uma vez...
com sua presença tão longe longe rabisca o arquétipo de como poderia ser
a você observo os sentidos e escrevendo o silêncio...
espero um adeus tão rápido quando seus olhos a me olharem.


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