domingo, novembro 02, 2008


Eu tinha coisas a dizer.
Eu disse as coisas a dizer.

Seus olhos ouviram as coisas que eu tinha a dizer.

E naquela aventura de brincar com as palavras...

Não imaginamos que gotas quentes de água salgada, um dia lembrariam nós dois.

Na música calma, saudade de inverno.

Eu disse as coisas que eu tinha a dizer.

Seus olhos ouviram quase em silêncio.

Não fosse seu coração a gritar

Coisas que eu não queria anotar.

Será que você volta amanhã para que eu possa silenciar as coisas que tinha a dizer?

Será que você volta amanhã, para apagar as coisas que eu disse?

Será que você volta, para me emprestar o silêncio dos seus olhos e guardar os pedidos de seu coração?

Eu espero você...

No sorriso úmido.

Presença colada nos lábios. Fotografia.

sábado, outubro 18, 2008

há que se encontrar um sentido


Eu andei pelas estradas escuras procurando encontrar insanas personalidades que me fizessem acreditar no vermelho escorrendo sobre minhas pupilas. Corri na direção contrária de meus fantasmas. Foi então que percebi meu rosto desfigurar por inteiro, diante de seus olhos ao me tocarem. Minhas idéias entorpecidas. Perdidas. Perdão. Eu não queria magoá-lo. No sense!

segunda-feira, outubro 06, 2008

desire


Lembranças que ecoam sem piedade.
Risos.
Vozes confusas resgatadas.
Recordações.
As mãos estendidas buscam tocar a tua existência.
O tempo, invisivelmente, as obriga tornarem suplicantes.
Imprevisível.
Um silêncio de ritmo cardíaco faz a razão, em passo lento, rir pateticamente.
Tua imagem é inviolável.
Permanece na esquina diante do futuro.
Me violenta mantendo-me presa numa terna tristeza.
Inocente na tua proteção de existir.
Aproximação.
Inequívocos eu e você.
Voluptuosamente adormecemos.

domingo, setembro 28, 2008

nostalgia


Será que é medo?
Fui repreendido, por isso me escondo?
Será que tem alguém atrás da porta?
Ou são sombras na cortina?
Será que eu me olho e não me vejo?
Ou...é profundo observar meu eu...
Quantos iguais a mim procuram respostas para perguntas vazias???????
Quais serão meus sonhos
Porque mentir a mim que eles valem à pena?
Pena...
sentido...
segredo de ser-existir n'outro ser
Que não sou...
Abro os olhos...
estático
Fecho a boca, calo os sentidos...
Será?!?
Que valeu à pena...

domingo, setembro 21, 2008

Última de Inverno


Vinte e um de agosto de 2008. Frio, lua entre nuvens, céu nublado.

Como está querida? Ou deveria referir-me a você com seus sinônimos? Você sabe tudo que tenho passado e por isso resolvi escrever-lhe. Eu falaria de uma história sem fim, de um personagem perdido, de um cigarro aceso, de fogo e os elementos essências para se construir uma vida através das palavras, porém seria chato demais, vou resumir. Eu venho falar de um ser que tem medo, muito medo do que não pode ver. Ele tem pesadelos durante todo dia e quando chega à noite, recebe um convite para vivê-la intensamente. Acho um tanto quanto estranho tudo isso, mas sei que compartilhando com você, talvez eu obtenha alguma resposta para meus devaneios. Lembra das outras vezes em que te relatei o amor incondicional que virou tormento, depois veio prejudicar a sua vida, chegando às vias de fato? Aquela mágoa sustentada a cada minuto de vivência posterior. Lembro-me como se fosse hoje o vermelho daquele sangue escorrendo pelo chão enquanto alguém gritava por socorro. Estranho foi depois descobrir que ficaria na sua intenção aquele ocorrido. Desculpe-me a falta de bom senso e a minha indiscrição, mas foi inevitável lembrá-la nessa cena enquanto correm as horas nos ponteiros movediços do relógio. Outro ponto que gostaria de lembrar aos seus olhos. Sabe do que sinto saudade? Sinto tanta falta dos dias de inverno, as árvores cinzas completando a paisagem. O branco do gelo cada manhã que eu via o sol nascer com meus olhos avermelhados, latejantes diante das páginas de um livro. Com a lareira acesa, tomávamos um bom vinho ao passo que contávamos histórias de nossas vidas perdidas e mal vividas. Pela distância que nos separa é triste escrever-lhe sem ao menos olhar em seus olhos, observar as tantas expressões de seu rosto e imaginar o que de imediato responderia a mim com um sorriso entre lábios. Coisa que nunca vi você demonstrar, um sorriso por inteiro. Sou viajante destas linhas de lembranças. Sou sonhador que não consegue ao menos fechar os olhos para a noite. Não sou nada mais que isso nessa vida e sei que é tarde para tentar alguma coisa. Estou desiludido e hoje estou de partida. Cansado, sigo em direção à primavera. Lúgubre primavera que desbota meu viver com suas depressivas flores, escolhendo a quem dizer adeus. Até breve, espero notícias suas...


19h57min
Sempre viajante do tempo.

terça-feira, setembro 09, 2008

indulto

Entre músicas sacras e pedidos de perdão.
O certo (aceitável).
E o errado (desejável).
Vertigem sossego...
Morte, paz...
Diante da "Alegoria da Caverna"
Intrigados e intrigantes buscando a embriaguês da desculpa à 70%...
Sem punição posterior.
Causas, causos sóbrios.
Sombras conformadas com a imensidão.
Gritos pretensos.
Por que ver a luz, se é mais seguro permanecer na escuridão?
Títere de um sentimento lógico.
Auto-proteção!

domingo, agosto 31, 2008

Fim dos tempos!


São sóis noturnos. Mudaram os tempos. Entre os eternos momentos de insônia e o não poder acordar, intervalos breves da estranha dor que percorre meu rosto e cega meus olhos. São noites infindáveis. Estive ausente de mim e hoje percebo o quanto isso me fez mal. Eu não passeio mais por aqui, eu estive voltando, mas o caminho deu voltas e nelas não pude pisar. Mais que cores vibrantes, muito mais que sons ensurdecedores eu acordei da vida para um mundo que não pertence a mim. Eu o comprei, foram três anos cultivando cada personagem dessa ficção. Alguns dos atores se cansaram e se retiraram antes mesmo que as cortinas vermelhas se fechassem. Não houve nenhum aplauso, apenas risos escondidos anunciando a fracasso do espetáculo. Vê? Ele encerrou e ninguém percebeu que a piada contada ali não era mera coincidência. Triste daquele que viaja sob as sombras, quando na realidade a luz está guardada em seu bolso esperando ser revelada na face decomposta de inverdades malditas...