E nessas últimas horas de 2013
ainda existe a chance de lembrar as dores dos outros. Sempre você à frente de
qualquer problema. A não aceitação de um relacionamento que em breve mostrará
resultados, e as lágrimas pelas mentiras que você mesmo contou. Não se preocupe,
pois a família que você escolheu, “para sempre” poderá durar e essas palavras
de alguma forma algum ferimento causará. Saiba que realmente você não sofreu, a
escolha foi sua e a consequência também. Noites de céu estrelado e a escuridão
sempre ao seu lado. Saiba que as lágrimas e as mãos incriminadas, marcadas pela
sujeira de suas histórias mal contadas foram escritas em suas páginas. Como
numa estrada a viagem sem fim, em que os pneus do carro deslizam a chuva fina
que tragicamente finda sua chegada. Corremos para segurar suas mãos geladas, e
o perdão entre lábios não conseguimos ouvir. Os fogos e o brindar de um novo
ano não apaga os acontecimentos de um ano péssimo, 2013 já vai tarde demais. E eu
aqui continuo lendo e presenciando tragédias e a dor dos outros, ainda não
consegui identificar as minhas. Fugindo das doenças da alma, evitando chorar,
pois calar e esperar que tudo mude, seria o mais sensato. O coração ouvindo
súplicas para escrever uma nova história, dói, sofre para que amanhã seja outro
dia. Em sua memória... apenas seus sorrisos e o desespero de não mais...
Escolher outros caminhos, outros momentos e o mundo insensato respondendo: “olá!”.
Um dia tudo isso acaba e aí, nesse dia... eu responderei com um sorriso
entredentes: “não irei voltar, pois desta vida... nada quero”. E nessas últimas
horas de 2013, ainda dá tempo de lembrar...

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