Com essa onda de manifestos e protestos para um Brasil melhor, parei algumas horas para entender o que de errado está à minha volta. Faz parte dessa vida fazer escolhas e entre essas tantas, tive que escolher o que quero ser quando crescer, dentre esses caminhos tortos escolhi fazer Direito, quem sabe assim defendesse meus direitos de forma mais clara. Entrar em uma sala de aula nessa altura da vida me revolta um pouco menos, porém ainda revolta. Admiro as pessoas que trabalham, que tem uma família que depende delas o sustento, e ainda assim acham ânimo para encarar os livros por uma vida melhor. Eu observo essas mesmas pessoas todas as noites e às vezes o que mais me entristece são as atitude de alguns mestres juntamente/seguidamente/ mancomunadamente com alguns de seus discípulos. Buscar um pouco menos de corrupção ao passo que somos corrompidos a acreditar que a corrupção parte apenas da política. Por vezes acreditei que a mudança desse sistema falho iniciasse dentro desses mestres, doutores que tanto me encantavam os olhos com seus conhecimentos, e que aos poucos ao apagar o quadro cegaram meus olhos com o pó branco do giz fazendo com que eu ouvisse apenas suas vozes, várias vozes e sem diagnóstico algum de esquizofrenia. Na busca desenfreada de entender o que estava acontecendo, caí, levantei quantas vezes foram necessárias e nesse descaso de ensinar e aprender, por mais uma noite desisti. Desisti de acreditar que o mestre me ensinaria o que estava escondido entre linhas de pesados livros. Fechei meus olhos mesmo que cegos e empoeirados, desisti. Se eu tivesse lido um pouco mais, tinha compreendido que aprenderia muito além do que o mestre pôde me propor. Doutor? Quem sabe daqui alguns anos eu esteja lembrando do que hoje acontece, quem sabe algum tipo de título me reserve... e assim mostrar que realmente é possível ensinar sem que meu conhecimento seja prejudicado, sem trapacear números e pular folhas... Doutora? Título por excelência... calma, o que se apressa é apenas a chuva lá fora, pois a revolta aqui dentro se acalma ao passo que a aula termina. Revolução? Das horas, das medidas embevecidas de estudo que se escoam na medida que os algarismos traiçoeiros se apagam. Revolte-se, revolte-me, quem sabe assim acordo dessa palhaçada que a realidade sorri e algumas vezes se repete. Amanhã? Clichê? Amanhã é outro dia...
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