O Sol hoje não apareceu...
Na escuridão de todas as madrugadas a dor levou-o embora junto com todas as alegrias que poderiam existir.
A tristeza vem numa leve brisa...
Como se fosse os dias em que o Sol estava por aqui.
Seu sofrimento era tanto, que não tive coragem de olhar nos seus olhos para dizer um Adeus.
Foi um pesar as lágrimas que escorriam dos meus olhos.
Pela manhã eu o espero como todos os dias, à porta de meu quarto aguardando um carinho.
Ao pé da cama, aguardando avistar algum movimento, pequeno que fosse, para que ele pudesse subir e fazer um rápido miado.
Não sei, às vezes parece que tenho que levantar às pressas para tentar amenizar um pouco de suas dores.
E quando ele, corria para que eu me escondesse e num súbito susto me achava e então fazia como se estivesse sorrindo.
As noites em que suplicava para sair, avistar a noite e eu com medo não deixava para que não o levassem embora.
Cuidamos tanto de seus ferimentos que nunca cicatrizaram, por um mês acreditei que o Sol voltaria aparecer e dormir na cama escondido para não perder o costume.
O Sol hoje não apareceu, com suas patas amarelas e o pêlo bem macio, se agradava um pouco em cada um e vagarosamente subia em minhas pernas para receber o carinho verdadeiro que tanto esperava.
E nas madrugadas, ele não conversa mais com a Mãe, pedindo para sair ver como iria se iniciar o dia, às 4 da madrugada.
Foi tão inesperada a sua partida, é difícil acreditar que não o encontraremos em lugar algum.
Foi o tempo que levou-o num silêncio estarrecedor...
Restaram algumas coisas, alguns medicamentos que não tiveram o poder da cura.
O Sol não anda mais pelo corredor...
O Sol não implica mais com sua imagem refletida na água...
O Sol não fica mais na chuva...
O Sol... não apareceu hoje...
Com o passar do tempo espero que eu esqueça esse sofrimento, da vida...
Que aos poucos leva a alegria e fere a alma.
O tempo, que mente, engana, passa rapidamente.
Pela manhã, o Sol não aparece mais por aqui...

Nenhum comentário:
Postar um comentário