quinta-feira, fevereiro 16, 2017

talvez eu tenha voltado...

No caminho de volta para casa a lembrança face a face de tudo aquilo que não poderia ser... amanhã pela manhã, antes mesmo do Sol sorrir para o mundo algumas coisas se darão por encerradas... não cabe esperar pela co-paixão quando ela existe bem distante daqui posta em trajes de festa e uma linda gravata vermelha... seria o mesmo que mutilar-se em palavras e aos demais de nada adiantaria olhar com olhos de pena pela ausência de conteúdo da vida em prática. No acidente de um lindo final de tarde de verão, o coração reanimado por vezes, num último suspiro, sôfrego latente está dizendo Adeus aos sentidos, e as mãos trêmulas se juntam à quentura do asfalto que causa queimaduras de terceiro grau, mas que da dor diferença nenhuma faz, pois ao corpo a essência da vida não mora mais. Amanhã, nas primeiras horas do dia teremos esquecido o seu sorriso, que ao subir as escadas se cala na lonjura de seus olhos. Fotografia que guarda eternos momentos às suas costas, e ao lembrar que a volta para casa será dolorosa, me junto aos acasos e aos desejos que morrem subitamente numa parada inexplicável, olho rapidamente na via de mão única proibindo a ultrapassagem, mas insisto e acabo nas linhas anteriores em meio a penumbra das luzes vermelhas indicando mais uma morte dolorosa. Que a vida siga sem você, pois se habita outros olhares, nos meus olhos transbordou todo amor em vê-lo feliz. Foram em noites como esta que meus dias finalizariam de uma maneira inexplicável, assombrando a chance de eternizá-lo no sono mais profundo de meus sentidos. Amanhã, no caminho inverso ao de casa, deixo flores junto ao meio-fio indicando o subterfúgio das palavras. Nessa escuridão da vida que segue sem que você prepare para as escolhas que não fez.

Nenhum comentário: