domingo, agosto 11, 2013

e para hoje: dia dos pais...

Talvez o dia tenha passado num saudosismo do cortejo fúnebre em que a vida celebra muitas coisas, eu poderia contar mais uma delas...  Um adeus em vida onde se conta cada pedra afastada de seu caminho, cada escuridão que passou, cada sofrimento que sofreu... redundante não é mesmo? Assim como tantas outras respostas que poderiam ser dadas. E nos trajes do inimigo buscar acalento para a alma calejada de ser salva das maldades que você mesmo provocou. Uma injusta escolha que reflete o futuro, e se é para dormir nos braços de lúcifer, que o sonho seja eterno, de meus filhos nada tenho, apenas a alegria de crianças que trazem algum conforto para minha vida vazia, suja, podre... apodrecida, bolorada.  Meu pai? Acho mesmo que nunca o tive, alguns traços físicos, alguns gestos característico, mas ele mesmo... nunca tive como pai. Agora nesse dia que passou vi minha ilusória felicidade escapar pelas mãos de minha mãe. Voltei alguns anos numa história amaldiçoada pelo tempo que agora apenas uma mulher constrói meus sonhos, me ludibriando, me mostrando um caminho ao qual nunca tive acesso por ter uma vida protegida por anjos. Os anjos enegreceram minha aura e fazem de mim escravo de qualquer conto de fadas. Nunca tive nada meu, pois nunca tive capacidade para isso. Nunca tive ganho meu, pois nunca trabalhei para isso. Vivo de espera, de migalhas dos outros, de traiçoeiros. Vivo... apenas isso. Um telefonema e mais uma vez escolhi. Eu mesmo preparei a alma de quem me trouxe a vida, levei-a por caminhos tortos, até chegar num campo deserto povoado por inimigos que eu escolhi um a um, cavei até o mais profundo da terra e escolhi, enterrei-a viva sofrendo pelas escolhas erradas que fiz. Meu nome, escondido em meio à névoa de um dia frio, mas que ainda surgiria o sol.  Algumas histórias bíblicas contam que o sol e a lua chegaram a parar durante minha batalha, quem sabe desta vez tenha acontecido o mesmo. Nesse dia 11 de agosto de 2013, dos pais em que um filho enterra a mãe viva para que não atrapalhe suas escolhas tortas que maldizem seu nome. Meu nome? Certo de que muitos acertarão... Vou seguindo de volta tapando os ouvidos com as mãos para não ouvir a súplica de quem me salvou tantas vezes da penumbra de meus olhos que me mostravam monstros inexistentes tão existentes que se apoderavam de meu corpo no extremo do medo. A súplica de minha mãe que tantas noites passou e passa acordada para vigiar meu caminho, e que deu seu sangue para que eu sobrevivesse a tormentas. A minha mãe que eram meus olhos. A minha mãe que agora se cala mesmo viva, porém sem vida em minha vida. Você ouve? Eu? Já não escuto mais.    

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