foi como se estivéssemos em meio a tempestade de pedras de gelo
não se ouviu uma palavra sequer
bocas fechadas e cabeças pensantes
pensando o que seria da realidade transformada em segundos de mentira
acordar todos os dias e perceber que tudo se foi
passou com a primeira brisa, bem leve
causou maior estrago
o coração desesperado tentando conter o fluxo sanguíneo
que rapidamente chega à boca
fala baixinho para que não gritem
no desespero de conter os olhos
tento esconder as pernas que tremem, como se fosse uma ameaça
em que hoje é nossa última noite
ideias confusas atrapalhando a claridade da lua que entra pela janela
num súbito suspiro
me perco em suas mãos
fecho os olhos num infinito céu de estrelas
que se perde da noite passada
e no dia seguinte se encotra em seus lábios

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