domingo, agosto 15, 2010

roubaram você



Uma noite fria e as árvores mostrando o movimento do vento. Uma escola deserta onde todos os medos se contradizem e contam a história da vida passada. Somos tão amigos que substituí meu irmão por ele, dizia o Anjinho. Assim intitulado pelos seus cabelos encaracolados e suas atitudes e palavras de bondade. Era um rapaz tão humilde, capaz de se apaixonar, sofrer e aceitar as apostas dos amigos, que por ele passam, brincam, escorraçam e humilham. O Pintufa sim, repetia ele, mais que um irmão. Uma tarde brincando na rua, seu pai me apoiou, me deu o que comer... Recordações do tempo passado para justificar o erro presente. As pedras que hoje me atiram, se a Sra. reparar direito, olha aqui, veja como está igual ao dos colegas dela. Com os olhos atentos, ainda que fosse verdade nenhum vínculo além do profissional continha alguma pessoalidade na história toda. Está chegando ao fim e os números estão sendo arrumados. Me deixe relatar o que realmente aconteceu.

Minhas atitudes estão contrariando meu coração, eu sei.

Perceba o quanto somos amigos, Pintufa não tem culpa de nada, eu e ele somos vítimas fatalizadas em toda essa história confusa. Fizemos um pacto que nada destruiria essa nossa amizade de anos. Ele tem tudo que não posso ter, quando criança compartilhavamos as mesmas coisas sem que lembrassemos que não eramos do mesmo sangue. Tudo que o pai dele dava para ele ,eu tinha o mesmo direito. Agora lemos e ouvimos através dos dias o que nunca foi nos dito antes, com que direito as meninas fazem isso? Ferem nosso sentimento, acima de tudo somos seres humanos. Me passe seu telefone ou a Sra. me ligue para conversarmos que tenho muito que falar.

Passaram os dias e o telefone não se ouviu tocar, nem na esperança de uma segunda chance... um "segundo sol".

Eu explico melhor.
São dois meninos levados pela vida, sem direção ou rumo certo a seguir. Um deles chama-se Anjinho, pois tem cabelos enroladinhos, e suas palavras e atitudes de bondade dizem sobre ele. Rapaz bonito, chama atenção, tem grandes sonhos que não conseguiu realizar, um segredo que na pressa de contar esconde a quatro chaves. Em meio ao vazio de seu mundo encontrou um ser tão mais perdido que ele e juntaram-se ao abondono do acaso. Amigos confidentes da madrugada, nada tem a esconder um do outro, além da diferença de idade.

Por sua vez, Pintufa, um menino crescido apanhado pela vida e desejos de seu pai. Tem um grande coração, porém não sabe lidar com as verdades do mundo. Inocentemente aprendeu amar, nunca levou um não e hoje dói saber. As pessoas o tem como amigo por seus bens materiais e seu limitado poder intelectual. Passa as noites em branco, não consegue segurar seu sono, com medo do que pode vir acontecer. Uma pessoa interessante de se ter como amigo, agora o que lhe resta é o Anjinho.

Dois seres humanos perdidos.

Vazios de qualquer divindade de pensammento.

O erro mais cruel que nesses últimos tempos aconteceu com eles, é amar em silêncio. Hoje um relato de suas dores insuportáveis, criam mais uma ferida na alma.
O que mais querem...

Voltar para casa sem serem feridos... mais uma vez...





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"A perda faz o repensar"



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